Quando a mediocridade é o que resta

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Interessante essa história de ser professor.

Sempre vi meus professores como pessoas cultas e bem estruturadas intelectualmente. Verdadeiros exemplos a serem seguidos. Pessoas que eram intelectuais sem serem arrogantes e sérias sem perder o senso de humor.

Decidi ser professor também.

Me preparei da melhor forma possível, batalhei uma faculdade federal num curso bastante complicado, mantive minha cultura geral o mais ampla possível e busquei sempre estar atualizado com o mundo. Em suma: busquei ser aquilo que imagino de um professor: um intelectual.

Agora estou dentro da sala de professores junto aos meus pares e me deparo com um paradigma totalmente diferente, em geral o papo é o mais alienado possível. Na melhor das hipóteses surge uma discussão política que não tarda em cair no "não tem mais jeito". E esse é o ápice. Agora pouco ouvi um discurso homofóbico de um colega.

Não é triste quando a mediocridade é o que resta, é triste quando as pessoas ainda não conseguiram atingir a mediocridade.

Por isso mesmo acho que não dá pra criticar nem um pouco os nossos alunos: com os professores que tem não era de se esperar que fossem melhores.

Certo estava Orwell, ou mesmo Goldstein em 1984, a massa de manobra que deve ser controlada é o Partido Intermediário. Enquanto os intelectuais, técnicos e burocratas forem mantidos numa coleira curta o poder não irá precisar se preocupar em controlar o proletariado.



Postado ao som do sinal no fim do intervalo.

Contraria sunt Complementa (Parte 1)

domingo, 28 de agosto de 2011




Sempre foi uma pergunta recorrente, principalmente entre ateus relutantes e agnósticos, o questionamento de se Deus seria real ou estaria apenas dentro da nossa cabeça.

Depois de tanto remoer pensamentos, nem sempre agradáveis, podemos chegar a uma resposta que parecia pairar no ar o tempo inteiro: Sim, ele está apenas dentro de nossa cabeça. Mas logo em seguida devemos fazer uma segunda pergunta: isto o torna menos real? Afinal de contas, se olharmos para tudo em nossa visão de mundo, desde os sentimentos mais abstratos até aquela topada dolorosa com uma pedra no caminho, em última instância todas as nossas percepções não estão dentro do domínio da nossa mente?

O questionamento de Berkeley sobre o fato de todas as sensações e sentimentos humanos serem sempre objetos do domínio da mente não necessariamente precisa ser encarado como uma inocente negação da existência da realidade objetiva para além dos domínios da imaginação humana. Afinal de contas, se àquelas coisas que se passam apenas em nosso pensar não pudermos, de alguma forma, atribuir existência, não poderemos sequer atribur o existir ao nosso próprio corpo e, como bem disse Nietzsche, o "cogito ergo sum" do racionalismo clássico deverá ser reduzido a não mais do que um "cogito ergo cogito".

Deus está apenas na imaginação? Sim. Isso faz com que ele não seja algo real? De maneira alguma!

Um dos exercícios de pensamento mais interessantes e, ao mesmo tempo, difíceis de ser executado é o de perceber que conceitos que, em princípio, são contrários não precisam ser necessariamente excludentes, sendo estes na maioria das vezes complementares.

Numa primeira abordagem desta forma de princípio da complementaridade social poderíamos observá-lo como sendo a força motriz que faz com que todas as grandes dicotomias do pensamento humano cedo ou tarde recaiam em uma síntese. Assim foi com o idealismo e o realismo em Kant, assim foi com o racionalismo e o empirismo em Popper. Aprendemos com a filosofia que o mundo não se resume a teses e antíteses, há um papel importante e especial para a síntese. Este papel vai além da falácia aparente da simples conciliação entre caráteres díspares, ele nos mostra que esta é capaz de muito agregar ao nosso conhecimento e contribuir de maneira ativa com  formação de nossa visão de mundo acerca dos mais diversos aspectos.

Aquele que diz que Kant é apenas uma conciliação entre o idealismo e o realismo das duas uma: Ou está sendo perigosamente ingênuo ou nunca leu a obra deste pensador.

Nestes próximos posts tentarei mostrar que é não apenas possível mas também em muito agregador de valor e significado estabelecer uma síntese entre a ideia ateísta da não existência de um Deus externo ao homem e a posição dogmática do motor imóvel, chegando à possibilidade de um Deus interior ser tão real quanto um criador do universo, uma vez que este a cada momento recria o ser humano nos mais diferentes momentos de sua vida.


Na parte 2 explicarei a ilustração e falarei sobre o Princípio da Complementaridade da mecânica quântica e no quanto essas ideias são indispensáveis para nossa visão contemporânea do mundo físico.


Postado ao som de "Vivaldi's Winter" - Versão Darkmoor.

Interlúdio blogstático

Bom, gente, mais uma vez estou de volta e como sempre pedindo desculpas pela longa ausência.

As coisas tem acontecido num ritmo desconcertante na minha vida e isso tem me deixado um pouco sem tempo. Só pra resumir, desde os últimos posts até agora aconteceram uma greve bem longa, aulas de reposição, uma dissertação de mestrado pra concluir e um noivado.

Estou num ritmo alucinante entre me perder e me encontrar novamente a cada momento. Esse é um daqueles momentos mágicos onde, ao mesmo tempo, tudo muda e tudo permanece.

Nesses últimos dias tenho especialmente me dedicado a refletir sobre essas aparentes contradições, sobre o confuso caminho entre o vir e o devir, mas especialmente sobre as idéias sintetizadoras que sempre surgem deste limbo da disparidade entre ideias.

Ontem dormi (ou não dormi) com uma contrariedade destas na minha cabeça.

Hoje é estranho, mas acordei e, de repente, parece que a resposta para tudo sempre esteve debaixo do meu nariz o tempo inteiro!

Não vou me concentrar aqui nas perguntas que me fizeram recair no questionamento, talvez faça isso no futuro, mas vou me concentrar na resposta (nada definitiva) que encontrei.

Tentei escrever de forma sintética para postar aqui, mas o texto ficou tão longo que o publicarei na forma de pequenos capítulos.

Talvez eu acabe sendo teórico demais, mas espero que vocês gostem do meu "Contraria sunt complementa", mesmo que ele não seja, em última análise, tão original assim.


A parte 1 será postada agora!

A propósito, é bom estar de volta!


Postado ao som de "Tocando em frente" - Versão da Paula Fernandes.

Como escrever um artigo científico em 15 dias

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Hoje vou partir para um problema prático.

Todo mundo que já tentou escrever um artigo, seja para uma revista ou para um congresso, sabe o parto que é a coisa. Entre os primeiros rascunhos do tema e a diagramação final muita água passa por baixo da ponte.

Pois bem, nessa minha curta vida acadêmica uma habilidade muito interessante que eu desenvolvi foi a de me livrar dessas dores de cabeça em apenas quinze dias.

Isso mesmo: 15 dias!

Vamos ao passo a passo.

1 - Não faça absolutamente nada até perceber que faltam apenas 15 dias de prazo;
      Essa parte é fundamental! Sem ela os outros passos não fazem sentido.

2 - Passe dez dias do mais completo desespero por ter apenas um título mas sem nenhuma ideia de desenvolvimento;

3 - No décimo primeiro dia tenha uma ideia; Nesse mesmo dia fique tão empolgado com a ideia que esquece de escrever;

4 - Comemore a ideia no décimo segundo dia;

5 - Na noite do décimo terceiro dia lembre-se de que ainda não escreveu nada;

6 - Passe o décimo quarto dia inteiro escrevendo freneticamente;

7 - Finalize no décimo quinto e envie por e-mail depois das onze da noite;

8 - No décimo sexto revise e perceba os erros de digitação;

9 - Respire fundo e diga: "Ah, foda-se... o importante é que ficou bom!"


Pronto, compartilhei o maior dos meus segredos, e ele pode ser aplicado a quase tudo na vida.

Apreciem com moderação.


Postado ao som de "Drive my car" - Paul McCartney

Vinte anos é muito [pouco] tempo...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sempre me pergunto em o quanto as coisas podem ser relativizadas...

Tudo pode ser relativizado no fim das contas, mas creio que o tempo seja o que ganha de todos.

Vinte anos... muita coisa acontece em vinte anos.

Muita coisa muda na vida da gente nesse tempo. Mas hoje vou falar diferente, vou falar sobre as coisas que permanecem independente da passagem do tempo.

Tem coisas simplesmente impossiveis de se deixar pra trás... Coisas que as pessoas em sã consciência não deveriam sequer pensar em mudar...

Me lembro hoje do meu primeiro dia de aula...


Muita coisa mudou desde esse dia, mas algumas permanecem as mesmas:

- A roseira continua sempre florida; e, principalmente

- Continuo com a mesma cara de felicidade flagrante quando estou junto dessa menininha...

Hoje essas duas crianças estão um pouco diferentes...



Mas tem coisas que não mudam... E querem sabe de uma coisa? Tomara que nunca mudem!





Postado ao som de "Aqui" - Ana Carolina

PS: Eu sei que você odeia essa foto, mas eu continuo achando ela legal... rs

Bebida entra...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Tem certas coisas na vida que são engraçadas...

Já ouviram o ditado: "Bebida entra, verdade sai" ?

Ele tem uma ressalva...

Quando a bebida entra, a verdade sai, mas a verdade é tão incrível que ninguém acredita...


Postado ao som de zumbidos no ouvido e batidas de coração.

Felicidade

sábado, 9 de julho de 2011

Engraçada essa história de busca pela felicidade.

Eu sempre fui da opinião de que justamente pelo fato de o ser humano ser o único animal que procura por ela é o único que não a encontra.

Assim sendo, nunca busquei por algum mecanismo encontrar aquilo que chamaríamos de felicidade plena, até mesmo por acreditar que talvez esta não existisse.

Justa e paradoxalmente, pelo fato de não acreditar na felicidade sempre me acreditei feliz.

Como eu estava errado...

Fui tolo ao imaginar que era feliz...

Agora raciocinando melhor percebo que estava, apesar de perto, muito longe desse sentimento.

Porque sinceramente nada se compara ao que estou sentindo agora!

Como eu poderia me sentir feliz sem estar completo? Como eu pude viver tanto tempo sem perceber isso?

Mas agora vai ser diferente. Agora eu posso sim dizer, não que estou feliz, mas que sou feliz.

Porque tem coisas na vida que não mudam...


Postado ao som de "Endless love" - Lionel Richie (Versão do Renato Russo)
PS: Eu estou realmente ouvindo isso?!?!?

The life, the Universe and everything...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Qual é o sentido disso tudo?


Por que nascer, crescer, rir, chorar, se divertir, se magoar e tudo mais se no fim vamos todos morrer?

Existe um sentido na vida que não seja aquele que aponta inexoravelmente no caminho da morte? Somos todos passageiros desse trem invisível que viaja rumo ao inevitável e não podemos fazer nada para evitar chegar ao destino?

Exatamente! Não podemos fazer nada que impeça ou que retarde indeterminadamente esse triste fim, mas quer saber de uma coisa?

Foda-se!

O destino pode ser ruim, como ir para São Paulo (desculpem-me os paulistas mas tenho aversão a metrópoles), mas se você for pela Rio-Santos vai ver que a viagem é maravilhosa. Vai ver que o caminho é muito mais interessante que o destino final (o que não é válido se você andar de trem pelo Rio de Janeiro)...

Nessas horas fico me perguntando o porque de tudo isso, da vida, do universo e de tudo mais. Engraçado mas eu sempre encontro a mesma resposta que eu já venho postando aqui há séculos: O amor.

Eros, Ágape ou Philia.

Ame, ame cada vez mais e enquanto houver espaço para o amor na sua vida ela será maravilhosa (parto é claro do falho princípio da indução: funcionou comigo vai funcionar com todo mundo).

Mas em síntese é isso: Amar o universo inteiro. Vai ser interessante porque dentro dele há pessoas que fazem tudo valer a pena. Eu conheço uma pessoalmente.


PS: Eu sou apressado? Nunca! Talvez louco eu seja um pouco, mas apressado nunca!


Postado ao som de "O descobrimento do Brasil" - Legião Urbana.


Mudanças chegando...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Nossa!

Quanto tempo sem um post novo... a vida tem sido meio corrida ultimamente...

Há pouco mais de um ano eu não tinha nem um emprego e hoje estou até em greve! Como a vida passa rápido!

Bom, sem mais delongas deixo apenas um irritante aguardem.

Isso mesmo, em breve voltarei para mais uma temporada de posts quase diários. E dessa vez trarei muitas novidades!

Então... Inté!


Postado ao som de "Dance Tonight" - Paul McCartney

Vagalumes...

terça-feira, 29 de março de 2011


Brincando de correr entre vagalumes, 
sem querer pegamos uma estrela baixa...

Assim diz a letra da música e assim é com a vida...

Um belo dia estamos vagando por aí distraídos com os vagalumes e nos deparamos, sem bem notar, com uma estrela.

E que estrela...

Não daquelas coisas frias e paradas que dominam nosso céu e nossas imaginações todas as noites...

Não uma daquelas que os antigos chegaram a chamar de "estrelas fixas"...

Mas uma estrela diferente... Com um brilho intermitente e inconstante... Uma estrela de brilho raro e inebriante... Como não se perder em devaneios nesses momentos? Como deixar de notar um sorriso tão encantador e uma gargalhada tão contagiante?

Algumas pessoas se dizem estrelas por ganharem um belo dia o brilho efêmero da fama... Não passam de estrelas cadentes...

Poucas, entretanto, possuem o dom natural de contagiar o local por onde passam e tornar impossível seu esquecimento... A essas podemos chamar estrelas ascendentes.


O post de hoje é dedicado às estrelas, vagalumes e todos os seres que possuem luz própria. Em especial um que comemora seu dia hoje. :)



Postado ao som de "Vagalumes" - Teatro Mágico.

Roliúde!!

sexta-feira, 25 de março de 2011

I Encontro Contação de Histórias no Imaginário Social da UFRuralRJ

É com enorme prazer que lhes damos as boas vindas ao I Encontro Contação de Histórias no Imaginário Social da UFRuralRJ!

Ainda faltam alguns dias para a abertura oficial do evento, mas já nos adiantamos e entramos no clima da poesia e da arte!

Seguindo por estas longas e, muitas vezes tortuosas, estradas da vida, nesta semana teremos a oportunidade de nos reunir e parar pra bater um bom papo e contar uma boa história.

Ainda nesta estrada nos encontraremos numa bela encruzilhada, onde os caminhos da academia e da arte se cruzam de uma maneira caleidoscópicamente simbiótica.

Nesta encruzilhada não se pode saber exatamente onde começa um caminho e onde termina o outro e todos ficamos ao mesmo tempo embevecidos e extasiados pela presença tão marcante de nossas manifestações culturais tão ricas e diversas.

Nesta encruzilhada cresce, ainda, a Árvore do Mundo. E é sob sua sombra que iremos repousar enquanto tocam os tambores e as histórias começam...

Sob esta árvore relembraremos como era divertido ser criança, e uma vez revertidos momentâneamente à infância, descobriremos o como é interessante a vida adulta quando se redescobre a poesia de viver...

Sob esta árvore, nós iremos...

Contar...

Ouvir...

Rir...

Conversar..

Brincar...

e enfim, por que não...

Sonhar!


Vamos juntos!

Todos sob esta imensa sombra nesta encruzilhada tão mística, onde o formal e o informal se reúnem para tomar um bom vinho e conversar sobre a tempo, enquanto observam um sorriso maroto no rosto da tragédia e uma pequena lágrima no olhar da comédia.

Vamos enquanto há tempo! Porque pode calhar de o próprio tempo resolver entrar na dança e decidir andar depressa!

E para que o clima da história seja o mais caloroso e possamos sentir a presença de todos os companheiros dessa jornada, venhamos despidos das preocupações dos anseios!

Participe você também dessa mobilização por um ambiente mais propício a este encontro entre arte e saber acadêmico, onde o diletantismo e o estudar caminharão juntos...

Não traga o peso do mundo, ao invés disso traga apenas uma canga (daquelas de ir à praia) e uma almofada bem confortável! Quem tiver mais de uma e puder, pode também compartilhar com um companheiro desprevenido!

Porque essa jornada será a primeira de muitas, mas ainda assim será única!


Postado ao som de "Romeo and Juliet"  - Dire Straits

Borboletas e flores

quinta-feira, 3 de março de 2011





"Borboleta parece flor, que o vento tirou pra dançar...
Flor parece a gente, pois somos sementes do que ainda virá..."


Funciona mais ou menos assim...

Existem pessoas muito, mas muito especiais.

Pessoas que entram na nossa vida e a gente sabe que não vai sair tão cedo. E fica feliz por isso.

Pessoas que nos mostram a cada dia o valor da perseverança, da amizade e de estampar sempre um sorriso no rosto.

Pessoas que são comprovações fatídicas das traquinagens da natureza, ao dotar alguém de toda a sabedoria do mundo com uma alma mais jovem que a brisa leve.

Pessoas que conseguem falar sério sorrindo, que conseguem contar uma boa história sem você sentir o que está acontecendo ao seu redor.

Pessoas que ensinam sem parecer nem um pouco arrogantes.

Mais um ano de vida não é coisa que se comemore todo dia...


Parabéns, Flor. Que a vida lhe traga agradáveis surpresas e tudo o que ela tiver de melhor.



Postado ao som de "Sonho de uma flauta" - Teatro Mágico.

Os presentes que nunca dei...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Hoje estava revisitando umas gavetas enquanto guardava uma coisa...

Um chaveirinho que eu comprei pra alguém e que não cheguei a dar...

Nossa, minhas gavetas já estão ficando cheias dessas coisas, presentes que nunca cheguei a dar, ou que no dia em que ia entregar aconteceu algo e acabou desandando a coisa.

Agora o chaveiro está sendo recepcionado por um cordão, uma blusa, algumas poesias ruins, um CD e algumas músicas gravadas.

Fico então pensando em como é estranho quando algo termina antes de começar... Não chega a ser uma sensação de perda, afinal nada foi perdido, mas é como se algo tivesse saido do lugar momentaneamente... Como se de repente você chegasse para um compromisso e descobrisse que errou na data, na verdade ele tinha sido no dia anterior...

Estranho, muito estranho...

Sobre queimar na fogueira...

Houve um tempo onde certos assuntos não podiam ser mencionados e certas idéias não podiam ser defendidas...

Ao custo da vida!

Que o diga o ousado Giordano Bruno, que teve a sorte de poder literalmente entregar-se de corpo e alma às suas idéias e recebeu como paga uma bela de uma fogueira... com ele dentro!

Hoje dizemos que vive-se uma época de multiplicidade de pensamento e liberdade de idéias...

As trevas da inquisição foram deixadas para trás há bastante tempo...

Será?

Será que podemos realmente defender nossos ideais e falar sobre nossos pontos de vista como bem entendermos sem prejuizo de nossas vidas?

Não sei... Se falarmos em fogueiras que ardem na pele, talvez elas tenham sido deixadas para trás mesmo. Mas e quanto os fogo e a tortura que queimam e desfazem a alma do ser humano?

Pode essa liberdade que tanto alardeamos ser realmente plena?

Talvez...

Mas vamos mudar um pouco as perguntas para fechar o argumento de uma forma mais interessante:

Pelo que ou por quem você se arriscaria queimar numa fogueira inquisitorial?



Postado ao som de "Leave" - Buffalo Springfield

Idiotice

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Ainda estou indeciso no nome dessa coisa, mas talvez algo entre a idiotice e a burrice.

Trata-se da grande decisão de tornar-se uma pessoa diferente justamente quando se consegue encontrar alguém que teria tudo pra gostar de você como você sempre foi.


Postado ao som de "Chaterton" - Seu Jorge.

No words

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Um suco de laranja e uma vodka, por favor!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Post nada Sóbrio de Sábado!!

Funciona assim: a maioria dos bares e restaurantes não serve o Screwdriver, que eu mencionei no último post.

A parte bonita da coisa é que basta pedir um suco, uma vodka, bastante gelo, calcular mais ou menos a proporção e pronto! O drink está feito!

Eu disse que ele era a própria navalha de Occam...

Bom, essa é mais ou menos a hora em que eu entro no assunto do post em si e começo a contar uma história...

Dessa vez vou contar uma história diferente das outras...

Era uma vez... (Afinal de contas toda história que se preze deve começar assim!)

Era uma vez... um copo.

Isso mesmo: um copo.

Um reles e simples pedaço de vidro. Imaginao, criado e moldado para ser o receptáculo passivo de alguma beberagem qualquer para um ser humano.

Um ser humano que talvez nem lhe desse moral, nem percebesse o quanto a vida de um copo é dura. Mas ainda sim ele servia (e ainda hoje serve) aos prazeres e necessidades do ser humano.

Em sua juventude copesca, imaginava que tipo de coisas maravilhosas poderia realizar, desde levar até os lábios de uma dama um belo drink até matar a sede de um idoso no meio da noite, naquele sábio momento onde não mais se sabe onde está nada além do copo e da garrafa.

E assim o pequeno copo saiu da fábrica, pronto para qualquer coisa! Com o vigor e a sagacidade que apenas a juventude é capaz de oferecer. Alguns tentaram lhe contar histórias sobre famosos envenenadores que os utilizavam como veículo para a morte, mas ele não lhes dera ouvido.

Isso é papo de taça de vinho... Aquelas nunca haviam o enganado... Pareciam belas e distantes a princípio... Apenas para que ao conhecer-lhes de perto pudessem se mostrar... belas e distantes!

Mas ele tinha que ter um belo destino pela frente, ou então as taças de Martini não olhariam para ele com aquele olhar diferente... Nem mesmo as taças de champanhe eram capazes de resistir incólumes à sua passagem...

Todos pareciam ser afetados pela presença do jovem copo, mas ninguém se aproximava e no fundo ele não conseguia imaginar o que aquela veneração distanciada e fria queria dizer.

Na verdade ele era um copo até bem pequeno...

E um dia ele saiu da fábrica! Como esse ébrio autor ia dizendo, ele estava pronto para qualquer coisa!

E mal passou alguns instantes numa prateleira junto aos copos de água (que eram os únicos a lhe ignorar) foi levado para a casa de um ser humano!

Alguns dias se passaram em uma febril ansiedade por suas maiores esperanças...

Algumas semanas se passaram em uma agitação interior que parecia não ter fim...

Alguns meses esperançosos o aguardaram com as mãos vazias de novidades...

Enfim alguns anos se passaram e ele ali, seco.

Via os seres humanos passarem ao seu redor... Como eram belos e alegres... como eram admiráveis... Sempre que pegavam um copo de água perspassavam seus olhares por aquele não mais tão jovem copo. Alguns riam e diziam alguma coisa, outros apenas sorriam com o canto da boca... Nem mesmo os seres humanos eram capazes de reagir com indiferença à sua presença, mas mesmo assim ele se sentia distante de tudo e de todos.

A única exceção era uma criança que insistia em brincar com ele quando ninguém estava vendo. Tudo bem que era um ultraje, mas pelo menos ele se sentia útil. Pelo menos antes das brincadeiras serem descobertas e ele ter que se mudar para uma prateleira mais alta.

Certa feita uma aranha lhe fez uma teia no interior. Ficou feliz pela companhia, mas a aranha não parecia lhe notar como mais do que um pedaço de vidro velho.

Ali, parado na estante, pôde ouvir as mais diversas histórias e ver as mais diferentes garrafas... Esperava em fim poder encontrar sua alma gêmea, afinal o copo e a garrafa são sempre complementos naturais.

Ouviu falar sobre a água, antiga, insondável, inexplicável, mas sempre presente... Mas nunca sentiu sua presença...

Ouviu falar sobre os sucos, puros e frescos espíritos da natureza... Mas eles pareciam ter seu próprio copo, que pareciam compartilhar com os tais refrigerantes, seus primos mais animadinhos.

Ouviu falar até mesmo da tal cerveja, que alguns podiam beber por horas a fio sem se dar conta, mas mesmo ela parecia passar distante de suas bordas ao ir encontrar-se com as tais tulipas.

E assim passaram-se os anos sem que nada acontecesse... E o copo adormeceu sem esperanças...

Sem esperanças de futuro...

Na amargura da inutilidade...

Até que um dia ouviu umas vozes animadas se aproximando com olhares diferentes...

"É hoje!"

Dizia um deles... ele conhecia esse homem de algum lugar... espere! Não seria essa a criança que brincava com ele há alguns anos? Será possível?

"Pega o One Shot!!"

Dizia outro, entre risos.

E ele viu muitos se aproximarem, alguns trazendo copos...

Copos iguais a ele!!!

Viu também algumas garrafas... Umas esbeltas e solenes, de um liquido transparente e belo, mas que nunca poderia ser comparado com a velha água... Umas que pareciam bem mais experientes e requintadas, cada uma recebendo uma etiqueta de cor diferente... da mais jovem e espirituosa (a vermelha) até a mais velha e encorpada (a verde)... Viu umas garrafas de aspecto divertido e jovial... Outras com olhar solene e distante...

Mas nenhuma lhe olhava com aquela reverência distante e vazia, mas o percebiam como um velho conhecido,  alguém que se deseja manter por perto de qualquer jeito.

E assim ele se descobriu pela primeira vez: One Shot era seu nome... Seu nome e sua missão...

A missão solene de conduzir os mais diversos espíritos em seu estado mais puro...

E pela primeira vez teve real noção de sua natureza... Seu lugar no mundo...

E pôde não mais se sentir como um destaque que chama a atenção pelo pitoresco e pela distância, mas sim como parte de um todo maior.

E nessa mesma noite se apaixonou pela primeira vez.

E pela segunda...

E pela terceira...

E pela quarta...

Até que ela apareceu... Trazida sabe-se lá por quem...

"Jose Cuervo" Estava escrito em sua garrafa, num aspecto forte e ao mesmo tempo delicado. Ao vê-la sendo aberta, sentiu o aroma de seu interior selvagem... Um misto de força primal e um sabor suave... E o mais incrível: Aquela garrafa não tinha conta-gotas. Sim, essa era a mensagem: Aquele era um prazer que deveria ser desfrutado apenas por aqueles que conhecem e confiam em sua própria dosagem, sem frescuras de "cair um pouquinho de cada vez".

Não havia como resistir...

Ele até tentou não se apaixonar, mas já era... Aquele tom avermelhado não poderia ter causado um efeito diferente...

E essa história não tem final.


Postado ao som de "Lonely Stranger" - Eric Clapton

Sobre meninos e homens

sábado, 19 de fevereiro de 2011

ou Sobre meninas e mulheres.

Bom, o Post nada Sóbrio de Sábado já está virando uma tradição e tem sido um dos mais acessados e comentados dO Metafísico, o que leva a um assunto interessante: Álcool.

Sempre tem um aluno que me pergunta: "Professor, você bebe?"

Procuro me esquivar de uma resposta muito sincera, algo como um "Pra cacete", pra poder manter um certa compostura e evitar conversinhas de corredor.

Mas sempre penso muito no assunto, e acho que as pessoas quando perguntam se alguém bebe estão fazendo a pergunta errada.

A questão não é beber ou não, mas sim o porque beber e o como beber.

Você bebe pra enfrentar seus problemas e sufocar as angústias?

Sinto muito, mas você tá fudido. A única coisa que vai conseguir é mais problemas e mais porres pra esquecê-los. Seu fim provavelmente será a sarjeta ou a cirrose ou os dois.

Você bebe porque todo mundo bebe?

Sinto muito mas você está mais fudido que o outro cara... Vai ter que aturar a ressaca e o remorso.

Agora se você bebe para se descontrair, curte realmente o paladar da bebida. Sabe exatamente do que gosta e do que não gosta... Não sai por aí bebendo qualquer mijo que botam no seu copo...

Você provavelmente vai se divertir um bocado e ter uma vida muito mais leve e despreocupada. Não se tornará alguém chato com facilidade e provavelmente não será um bom candidato a stress.

Outra pergunta errada pra mim é: "Você sabe a hora certa de parar?"

Gosto muito mais de "Você sabe a hora certa de enfiar o pé na jaca?"

Mais importante que saber quando parar é saber quando, onde e com quem você pode chutar o balde. Porque afinal de contas às vezes a gente merece.

São essas exatamente as perguntas que separam os meninos e meninas que saem pra balada, toma quase todas e enfiam a cara num poste qualquer, dos homens e mulheres que bebem hoje e beberão pelos próximos cinqüenta anos, tendo muita história pra contar mas se saindo bem de [quase] todas.

E você, já cresceu?

Pra finalizar, vou fazer algo diferente: Dar uma dica de drink. Um dos meus favoritos. Simples e prático, mas maravilhoso. A manifestação máxima da Navalha de Occan no mundo da mixologia.


Screwdriver.

Misture 100 ml de suco de laranja, 50 ml de vodka e bastante gelo. Está pronto!

Mas atenção na proporção, ou o máximo que você vai conseguir é um suco de laranja sujo. Os mais exigentes devem misturar usando uma chave de fenda.

Diz a lenda que ele recebe esse nome porque iniciou-se com engenheiros norte-americanos que misturavam secretamente vodka ao suco durante o trabalho e usavam para isso suas chaves de fenda.


Mais tarde eu volto um pouco menos sóbrio.



Postado ao som de "Carolina" - Seu Jorge.


Simpl

Correndo no intervalo...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ah!

Adoro o intervalo!

Mas tenho que correr pra voltar... como o tempo passa rápido!

Hoje está sendo o dia dos desafios, então vou deixá-los aqui também para ver se algum de vocês encontra saída.

Como você poderia, usando apenas coisas do seu dia-a-dia:

1- Descobrir quantas moléculas de ar há numa sala;

2- Medir o diâmetro do Sol; e

3- Medir o diâmetro de um fio de cabelo.


Que tal?

Meus alunos já estão trabalhando nisso... Vocês conseguem?



Postado ao som de crianças gritando no corredor.

Só mais um, por favor...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Nossa... que saudade de vocês!

Semana passada não teve o "Post nada sóbrio de sábado"... Foi duro, mas consegui sobreviver... Mas hoje estou de volta!

Como tem sido sempre, pronto a começar do nada e improvisar um conto... Algo entre o experimental e o clássico... Algo entre o velho e o novo... Algo entre a mudança e a eternidade...

Algo que tenha um que de paradoxal com algumas doses de lirismo e outras de Domecq...



Mas acima de tudo algo que fale sobre o amor...

Talvez um amor de hoje, talvez um amor de ontem, quem sabe até um amor de sempre...

Existe algo nessa vida que pode ser pra sempre? se sim, esse algo deve, por obrigação de ser o amor...

Mas vamos de uma vez à história...

Como já foi dito por alguns, deve ser sempre uma história que fale de mil maneiras diferentes a mil pessoas diferentes, algo que diga tudo sem dizer nada.

Que sabe como ela pode começar?

Começa dessa vez com um fim.

Um belo dia as pessoas decidem que histórias eternas não seriam verdadeiramente eternas se não tivessem um belo de um fim.

E assim, ele e ela, juntos e separados, cada qual no mais profundo oculto de seus siameses corações, decidem que é hora de dar um basta e viver.

Simplesmente viver.

Mesmo que seja viver uma história vazia e sem nexo.

Mesmo que seja apenas por comodismo, mas já é hora de viver. Um olha para a cara do outro e diz: "A culpa foi sua, você não agiu! Esteve nas suas mãos e você não fez nada!"

E então, refestelados como apenas poderiam estar com a luz da falsa razão, eles partem. Sem saber, contudo, que mesmo que se afastem com um mundo inteiro entre ambos, nunca poderão deixar de pensar um no outro.

Que mesmo que tentem, sempre surgirá um dia em que eles vão imaginar: "Eu poderia estar sendo feliz..."

E ele tenta então ouvir um pouco de música... Quem sabe o mais fiel dos prazeres não vai lhe proporcionar um pouco de paz nesse momento em que sabe que ela está nos braços do outro?

Mas não... Não consegue... Por mais que tente, o universo conspira contra e pela primeira vez na vida seu fone de ouvido começa a dar choques... Que falta faz um isolamento elétrico nessa horas... Isolamento de verdade era tudo que ele queria agora... seja este elétrico ou de sentimentos.

Mas sabe a maior?

Ele resiste aos choques...

Porque no fundo existem dores piores... O velho Raymond Chandler já havia descrito essa sensação antes: Sentir-se como um gatinho que acaba de chegar em uma casa onde ainda não tem certeza se o pessoal gosta de gatinhos.

E ele pensa que já chegou nessa casa há bastante tempo e mesmo assim ainda não consegue chegar a conclusões...

Nem ela.


"Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz"
Sim, é muito perigoso ser feliz, ele conclui depois de algum tempo...
E alguém diz: "Tem uma cadeira vaga do seu lado..."
Ele ri sem graça... sem jeito... sem saber o que responder...
"Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida"
Quem sabe...
Vozes esquisitas começam a falar coisas sugestivas no meio da música... Será efeito dos choques?
Um único pensamento lhe passa pela cabeça: "Que falta você me faz aqui e agora, cara Beatriz..."

Postado ao som de "Beatriz" - Chico Buarque (Na versão da Ana Carolina).

Férias de uma semana.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011


Amanhã começam as aulas. Paradoxalmente amanhã começo um período curto de férias.

Não sei onde eu estava com a cabeça quando eu aceitei esse emprego de personal anjo-da-guarda...

Claro que é sempre gratificante ajudar as pessoas e eu me sinto muito bem com isso, mas quase nunca sobra tempo para pensar em mim mesmo, meus próprios desejos e minhas próprias vontades...

Negociei com o chefe agora pouco e consegui uma semana de folga. Vou pendurar a auréola por um tempo e deixar as asas no fundo da gaveta de meias.

Essa semana vai ser minha, vou dar vazão aos meus prazeres e diversões.

Então, se você aí quer uma ajudinha pra algo... Bom, por uma semana vai ter que esperar ou contratar um free lance.


Semana que vem eu volto à rotina de menino bonzinho, mas por hora vou trocar as nuvens por algo mais quente e mudar um pouco o visual...

A minha diferença pro cara da foto é que minhas garrafas estão sempre abertas


Postado ao som de "Sultans of Swing" - Dire Straits

Nossa... Acho que nunca uma música combinou tão bem com o post... Vou deixar então o vídeo também:

O Trabalho enobrece...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Bom, hoje vamos analizar uma frase bem comum:

"O trabalho enobrece"

Primeiramente: Quem diabos disse essa coisa? rs

Obviamente esse cara não sabia o que era trabalho...

Segundamente: Trabalhar cansa!

Agora divertir-se.... bom, divertir-se é outra história... Divertir-se e ter prazer... Isso sim enobrece!

Por que então não fazemos mais isso: nos divertir no trabalho?

Porque prazer e trabalho não podem ser simbióticos?

Eu pessoalmente odeio a idéia de ter que trabalhar, mas gosto de pensar na sala de aula como um lugar de abertura de horizontes e novas possibilidades... Quase uma extensão dO Metafísico... rs

Vocês devem então estar imaginando a quantidade de sandices que eu coloco na cabeça dos meus alunos, né? Sim, é exatamente isso: Quanto mais longe da realidade melhor! Quanto mais questionamentos fundamentais melhor!

Afinal de contas, a resposta para tudo a gente já sabe: 42.

Resta então buscar perguntas interessantes que caibam...

Feliz sou eu que posso me dar ao luxo de me divertir dessa maneira no trabalho.... rs

Coitados de vocês, engenheiros, médicos, advogados...

Fiquem com o trabalho braçal enquanto eu me divirto... rs

Deve ser por isso que vocês ganham mais... pra compensar!


Terminando o post rapidinho porque estou clandestino num computador do colégio...

Postado ao som de "I am mine" - Pearl Jam (dessa vez no meu MP3)

Metas para a vida...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Há algum tempo atrás estive conversando com uma amiga sobre as coisas que valem a pena nessa vida...

Realmente, pouca coisa vale sacrifícios de verdade e a maioria dessas coisas é impossível.

Mas o que é o impossível?

Não vou me arriscar a responder, vou apenas deixar um pequeno trecho de um dos filmes mais maravilhosos que já vi, chama-se "The Man of La Mancha" (1972, dirigido por Arthur Hiller).


A tradução:



Sonhar o sonho impossível
Combater o inimigo imbatível
Suportar uma dor insuportável
Ir aonde os corajosos não se atrevem ir

Corrigir o erro incorrigível
Ser muito melhor do que se é
Tentar com os braços exaustos
Alcançar a estrela inalcançável

Esta é minha busca, seguir aquela estrela
Não importa quão sem esperança
Não importa quão distante
Lutar pelos direitos
Sem perguntar ou descansar
Estar disposto a marchar para o inferno
Por uma causa divina

Sei que somente sendo sincero
Nesta gloriosa busca
Que meu coração ficará em paz e calmo
Quando eu me deitar no descanso final

E o mundo seria melhor por isto
Que um homem desprezado e coberto de cicatrizes
Ainda luta com o que resta de sua coragem
Para alcançar a estrela inalcançável

Espero que tenham gostado e deixo a pergunta: O que realmente vale a pena?


Postado ao som de "Impossible Dream"

Uma ruiva de vestido em minha vida

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Vamos lá, hoje não é sábado e nem estou bêbado, mas vou contar uma história...

Ou melhor, vou levar vocês pra dentro de uma, porque é muito mais divertido...

Tudo começa com uma bebedeira, e você enche a cara pra comemorar algo com seus amigos. Enche a cara porque apesar de ter responsabilidade, você sabe que é bem legal enfiar o pé na jaca de vez em quando...

Bom, você vai pra casa bastante torto e começa a se lembrar de todas as mega viagens que já vez até hoje...

Você com certeza já se sentiu como Dante, tendo que vagar sem rumo e sem destino em meio a uma selva selvagem, na esperança de ser guiado por Beatriz para o paraíso... Mas não teve saco pra esperar por Beatriz e acabou ficando só na selva selvagem mesmo... Até que chega um amigo! Virgílio, o nome dele, não?

Então você despede-se da selva tentando encontrar uma verdade, algo que seja verdadeiro e final.

Por alguns instantes acha que a felicidade vai estar na verdade, mas na verdade a verdade foge de você...

Quem sabe a busca por um sentido da vida! Um grande e sonoro amor por viver bem a vida... por estar de repente cheio de vida mais uma vez!

Sim, pode ser isso!

É claro, dessa vez não vai ter erro!

Mas daí você também lembra que sempre há um erro espreitando atrás da moita mais próxima, pronto pra pular na sua frente e dizer: "Haha! Peguei você"

E o erro te pegou mesmo... O que foi o erro? Abandonar a busca pela verdade? Abandonar o passeio pela selva? Bom, talvez o erro tenha sido mesmo entrar naquela selva pela primeira vez e começar essa história.

"Que merda!" Você pensa. "Nesse maldito calor quem foi que colocou o chuveiro no quente?" E essa sutil dstração momentaneamente o tira de um flashback que já estava ficando.

Uma música flutua pela sua cabeça enquanto letrinhas coloridas giram em volta do chuveiro dançando no ritmo...

"Hay una mujer hermosa, la mas primorosa de ojitos negros y piél gitana...
És, és una hechicera, que domina al hombre con sus danzares con las caderas..."

Sim... uma feiticeira... quem sabe seja essa a resposta!

Procurar uma feiticeira!

Então uma coisa vem à sua cabeça... "As feiticeiras mais poderosas sempre são as ruivas"

O problema é onde achar uma feiticeira ruiva a essa hora da noite... E o pior: Você nem está na Irlanda!

Sabe uma característica irritante no universo? Ele adora coisas improváveis!

E quando ele vê você bebado, ali debaixo do chuveiro cantando Maná, não resiste e diz (na medida em que é possível um universo dizer algo): "hauhau! Você quer uma feiticeira ruiva? então vai encontrar uma hoje ainda... Mas tá perdido!"

Você toma um susto de repente!

Uma risada! Maldito rum!

Decidido a não pensar naquela risada, agarra-se em uma garrafa de vinho e parte pra rua de novo...

E não é que conhece a tal da ruiva!

Mais uma vez você constata: é sempre bom ter cuidado com as ruivas... Especialmente as ruivas de verstido...

Malditos descendentes dos príncipes de Atlântida! O que vocês querem entrando na vida das pessoas desse jeito?

Quero morrer amigo de vocês...

E a música volta a tocar na sua cabeça:

"Ven, déjame estrecharte, deja desnudarte bajo la luna poquito a poco.
Es, es una hechicera, que domina al hombre con sus danzares con las caderas..."



post sugerido pela Nina.


Postado ao som de "Hechicera" - Maná.

[EXTRA] Procura-se!!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011



Procura-se os autores dos comentários no post "Trabalho duro em 2010 - Resultados"

Quem tiver alguma pista sobre a identidade desses meliantes será devidamente recompensado... rs



Postado ao som de "Hotel California" - Eagles

Fascínio e Ciência

Bom, o assunto de hoje é complicado...

Estive conversando há alguns dias atrás com uma amiga e veio à tona, não me lembro porque, o seguinte fato: A ciência, especialmente a contemporânea, é um terreno fascinante. E uso o adjetivo "fascinante" da forma menos simpática possível: aquilo que exerce fascínio, ou seja, que deixa você impressionado e com cara de babaca sem saber o que fazer.

Isso é péssimo.

Fica parecendo que toda forma de divulgação da ciência se destina a apenas impressionar o público leigo de maneira a manter os financiamentos governamentais a tais projetos.

Porque digo isso?

Basta ver a quantidade de asneira que se difunde por aí associando temas científicos a coisas mirabolantemente estapafúrdias (nossa... isso ficou bonito... rs).

Há um tempo ouvi falar em "Cura Quântica". Meu deus... deram um diploma pro cara que criou isso? Não pode ser de físico... Num post futuro eu de repente discuto mais esse assunto em específico, mas o importante é a causa de todo esse embevecimento do público por qualquer coisa que tenha a palavra "quântico" ou "supercordas" ou mesmo "espaço-tempo" e que envolva o máximo de misticismo possível.

Fico me lembrando de um livro do Carl Sagan chamado "O mundo assombrado pelos demônios", onde ele questiona se a ciência em si já não seria boa o suficiente, se precisamos mesmo ficar enfeitando a coisa.

Sinceramente eu sou daqueles que acreditam que sim, a ciência é algo lindo e com resultados literalmente estupidificantes (essa palavra existe), mas mesmo assim concretos. Não precisamos de um guru espiritual que nos diga o quanto a equivalência massa-energia pode fazer você controlar sua própria saúde sem sair do sofá.

Precisamos simplesmente de pessoas que sejam de verdade comprometidos com a ciência. E eu nem digo com a verdade, pois também não acredito que a ciência possa nos levar um dia à verdade última do mundo. O que digo, é que se vamos dizer que algo é ciência, que este algo seja ciência mesmo, com todos os critérios e validações.

Bom, ao menos a Daniela deve saber uma das coisas que motivou esse tema (além da conversa que eu cite).

Hoje comecei a ver algumas coisas sobre o Nassim Haramein. Bom, não vou adiantar nada porque ainda não o conheço o suficiente, estou baixando alguns vídeos e textos, vou apenas fazer uma ressalva sobre minhas opiniões futuras que poderão aparecer.

Quando eu diferencio a ciência da pseudociência não é por achar uma superior à outra, da mesma forma como já falei sobre religião, todas são construções culturais do ser humano em pé de igualdade. O que não podemos é apresentar uma travestida da outra.

Bom, hoje foi o dia do cientista ranzinza... rsrs

Amanhã será o dia do filósofo mente aberta.

PS: Daniela, eu adoro "Winds of Change"... ;)


Postado ao som de "Ana e o Mar" - Teatro Mágico.

Algumas doses de Red Label porque estou precisando..

domingo, 30 de janeiro de 2011

Uau...

Depois de tanto tempo, o post nada sóbrio de sábado...

Fico pensando no tempo que eu passei sem escrever e em como resumi-lo para vocês... quem sabe fazer como da última vez! Uma música!

Ou um vídeo!!



E fica uma perguntinha para aqueles que me acompanham por aqui, sejam anônimos ou não.

Quem é você neste vídeo?

Neste exato momento, que papel você desempenha?

Talvez seja complicado demais pensar nessas coisas, mas vamos conduzir um pouco as coisas...

Era uma vez uma moça.

Uma moça linda, diga-se de passagem. Inteligente, cativante... Daquele tipo que ninguém consegue ficar indiferente quando ela está por perto.

Olhos inesquecíveis, voz terna e, acima de tudo, uma personalidade forte e que chega mesmo a desagradar a alguns.

Essa moça está bem ao seu lado agora... Quem é ela? Não sei...

Você olha espantado e de repente surpreende um soluço... ela chora!

Se houvera um dia a possibilidade de um pecado divino, este foi o de deixar tal anjo sofrer... Sofrer as dores de uma vida que quer viver, mas que não se sente corajosa o suficiente para assumir...

Sofrer as dores de um amor que sente se esvair por entre os dedos... Como a brisa no fim da tarde... Como os últimos e bem avermelhados raios de sol a despencar do horizonte limpo...

E ela te olha com um olhar interrogativo... "Eu estou perdendo o amor da minha vida" - Ela te diz entre soluços disfarçados - "Porque não posso simplesmente largar o que há de errado no passado e seguir em frente em busca de algo mais puro?"

Você não tem uma resposta para ela... Sua beleza o toca tão profundamente que já não é mais possível distinguir a sutileza dos finos traços da donzela dos bruscos arremetes de tristeza em sua tez.

Mas ela se mantém firme. Sabe que se ela vacilar tudo se perde...

E você começa a perceber o quanto podem ser valiosos os momentos em que é possível decidir sobre algo...

E começa a se ver preso com a mente no passado e a esperança no futuro sem querer, contudo, verificar se o presente é capaz de lhe oferecer alguma oportunidade aprazível de vida...

E no fim das contas você já não vê mais a linda jovem ao seu lado...

Por um instante fantasmagórico a face da moça se transfigura na sua...

Com uma diferença agora...

A lágrima continua presente...

E você vê a sua face a chorar mais uma vez no lugar da jovem...

Com um gesto instintivo você busca secar seu próprio rosto...

E de repente se depara com um lágrima na sua própria face...

Uma lágrima que não é exatamente de dor

Que não é exatamente de perda

Uma lágrima que é simplesmente um amor que não será vivido...



Postado ao som de "Just Fell Better" - Aerosmith & Santana

Voltas que a vida dá...

sábado, 29 de janeiro de 2011

Me sinto como se pudesse olhar para o passado!


"Isso!" - Diz o inocente blogueiro - "A partir de agora vou postar todos os dias! O mundo vai saber das coisas que penso e eu vou exorcizar meus demônios pessoais com estilo!"

Então ele começa... Um dia... Uma semana... Quase um mês de postagens diárias... Aí os comentários começam a desaparecer...

"Putz... Ninguém vai ler esta merda... Mas deixa pra lá, eu escrevo assim mesmo..."

Eis que surge um dia triste na vida do blogueiro, um dia que deixa ele mal por vários dias...

"Ah... Hoje não vou postar não... estou sem cabeça pra isso (!!)"

Então ele começa... Um dia... Uma semana... Quase um mês sem postar... E eis que os comentários voltam!

E eis que surgem comentários excelentes e instigantes!!

E então ele vê que já vazia semanas que não olhava o blog...

Quantas vezes isso não acontece na vida da gente?

Por um motivo ou outro, quantas vezes perdemos a esperança de algo simplesmente por uma mistura de tristeza, autopiedade e comodismo?

Seria bem melhor poder olhar em volta às vezes, sem medo de mudar... Sem medo de cair...

E de repente voar!

Voar não é isso? A sutil arte de cair e errar o chão?

Olhar em volta pode ser bom... Pode nos levar a coisas inesperadas e fortuitas.

Hoje à noite volto com o "Post nada Sóbrio de Sábado", não sei o que vou escrever, mas possivelmente começarei a responder aos comentários. Ou não.

Para o bem ou para o mal: I'm back!!

Esta volta é creditada a todos os que comentam estes rabiscos insanos, especialmente os anônimos. Identifiquem-se, oras! rs


Postado ao som de "Use Somebody" - Kings of Leon