Diferenças sutis entre medo e temor

domingo, 29 de março de 2009

Pois bem, se é pra ser polêmico, vamos ser polêmicos logo de uma vez.

Tenho reparado ultimamente (não que isso seja um fenômeno recente, é claro) o como algumas determinadas igrejas enxergam aquele que convencionam chamar de Deus. Digo convencionam chamar de Deus, porque a diversidade de visões do todo poderoso é tão grande, que dizemos que ele é um só apenas por costume.

Fico amplamente estarrecido em como muitas delas confundem o "Temor a Deus" com "Medo de Deus", como se o Todo-poderoso fosse uma velha ranzinza que fica vigiando a vida (principalmente a vida sexual) das pessoas apenas para repreende-las e puní-las.

Recuso-me veementemente a curvar-me perante um deus que mantêm seu culto por meio de ameaças, digo sinceramente que se deus é como eles dizem e salva apenas as boas ovelhas que se curvam diante de um pastor ou padre e seguem fielmente doutrinas as mais absurdas possíveis, se deus é mesmo assim eu prefiro queimar no inferno do que me curvar.

Que tipo de deus e esse que dá ao ser humano o livre arbítrio para depois puní-lo com a danação eterna ele se atrever a usar esse livre arbítrio? Ou na melhor das hipóteses para fazê-lo se curvar apenas para alcançar o paraíso. Estaria ele tentando nos comprar?

O cúmulo da minha revolta se mostra numa música, que hoje consegui a letra, vejam um trecho:

(...)
Mas se você não adorar....
Vai ser comido de bicho (3x)
E quem falar mal do pastor.
Vai ser comido de bicho (3x)
E quem não gosta de dar dízimo
Vai ser comido de bicho (3x)
Quem faz fofoca na igreja
Vai ser comido de bicho (3x)
(...)

Será mesmo que esse deus precisa ameaçar seus fiéis para que estes andem na linha?

Na minha concepção, Deus não é assim, mas essa é a minha concepção, que pouco ou nada importa nesse caso.

Ouvimos muito falar nos "Senhor dos Exércitos", no "Varão", na vinda do Apocalipse, sobre as pragas do Egito e na tal "Arrebatação da Igreja", mas pouco ou nada ouvimos sobre o Deus Libertador, sobre um Jesus Cristo que se sacrificou por acreditar que as pessoas deveriam ser mais legais umas com as outras e que não deveria haver discriminação entre outros povos ou religiões.

O que será que diria esse Jesus que defendou a gentileza e o perdão com "pagãos" e cobradores de impostos (sem com isso deixar de ser um grande defensor da fé judaica) quando visse um professora expulsar da sala de aula um aluno que usava colares de iniciado no Candomblé aos gritos de "Filho do Demônio"?

Em suma, que deus estamos procurdo em nossas igrejas: um velho ranzinza que quer saber o quanto você anda pagando à igreja e com que você anda transando?

Pensem.

A propósito! Cada um tem o direito de ver Deus da maneira que vem entender, ouviram! não pensem que estou dizendo que essa ou aquela forma de crença é errada, estou fazendo apenas o papel de um bom cidadão: questionando a tudo a todos.

Apenas digo com toda a minha convicção:

- Intolerância religiosa é uma estupidez;
- Temos o direito de não participar dos cultos e das missas, então manerem no volume do som!


A letra completa da música: http://letras.terra.com.br/fogo-no-pe/1406504/


Postado ao som de "Ready for Love" - Bad Company

Sobre a arrogância e o ato de ensinar

sábado, 28 de março de 2009

Bem, no último post falei sobre a questão da necessidade de se ter um certo desrespeito com relação a um conceito ou disciplina para que possamos aprende-lo.

Pois vejam, agora dou uma pequena continuidade ao assunto para falar sobre o ato de ensinar.

Se para aprender é necessário desrespeito, de maneira semelhante ensinar exige arrogância.

Não arrogância no sentido de se sentir acima dos alunos, mas arrogância no sentido de se sentir dominante sobre o assunto ensinado. Ser apenas seguro não é o suficiente, os alunos devem reconhecer no professor essa segurança, e se ele não transparece dominar a disciplina, perde a confiança da turma, que já não mais o vê como alguém que será capaz de sanar suas dúvidas.

Falo isso como aluno e como professor. Dos dois lados do problema é possível constatar a mesma coisa.

Ha! Antes que os pedagogentos de plantão comecem a tramar seus discursos inflamados sobre Skinner-Piaget-Vigotsky-O diabo a quatro, eu NÃO estou dizendo aqui que o professor deve ostentar poder sobre a turma, ele deve sim ser MEDIADOR do processo e entender bem seu papel.

Entretanto, se ele não tiver um profundo conhecimento do assunto que pretende lecionar, ele pode pegar todos os seus livros de didática e prática de ensino e jogar no lixo, porque eles não servirão para nada.

PS: Devido à falta de tempo vou continuar fazendo assim: levanto uma idéia sem me perder muito em discursos, sendo sintético sempre que possível. Se não for assim nunca posto nada... rsrsr ;)


Postado ao som de "Missing Cleveland" - Scott Weiland.

Sobre o desrespeito e o ato de aprender

segunda-feira, 23 de março de 2009

Hoje estive vasculhando meus papéis velhos em busca de um artigo e encontrei uma outra coisa que me deixou muito surpreso.

Tenho a mania de nunca jogar fora minhas anotações e reflexões, mesmo as mais inúteis. A que encontrei hoje faz bem o estilo das reflexões dO Metafísico, apesar de datar de antes do blog. Vou dividí-la com vocês, mas não com as mesmas palavras da época.

Estive refletindo na ocasião (e volto a refletir hoje) sobre a postura dos estudantes ante um assunto novo e pude perceber certos padrões de comportamento com relação ao respeito por um conteúdo ou uma disciplina.

Falando especificamente da área de exatas, encontramos predominantemente uma forma de pensar que nos guia para o caminho de que esta ou aquela disciplina é exageradamente difícil e que reprová-la não será nada fora do normal. Com o tempo vamos vendo que esta postura é dominante em quase todas as disciplinas da área e ficamos com um questionamento: será que é tão difícil assim aprender física ou matemática ou o que quer que seja?

Essa visão de que tudo é muito difícil acaba gerando um respeito quase que inquestionável sobre determinado assunto, e chegamos a ter medo de alguns temas antes mesmo de encará-los.

Podemos pensar até que ponto esse medo precoce é anterior ou ulterior à dificuldade propriamente dita. Será que é difícil e todos ficam com medo ou será que todos tem medo e por isso se torna difícil?

Isto posto, chegamos ao ponto que venho defender, a segunda forma de encarar um assunto novo: Aprender requer desrespeito.

Inicialmente pode soar forte demais ou impactante demais, mas não é bem assim. Quando digo que aprender exige desrespeito com o assunto quero dizer que devemos deixar de tratá-lo como algo absoluto e imutável, que devemos deixar de nos sentirmos inferiores ao conhecimento propriamente dito.

Não poderemos nunca assumir o posto de promotores do conhecimento se nos sentirmos inferiores a este.

Apenas um direito e um dever temos que honrar como estudantes que sempre seremos: O direito de duvidar e o dever de questionar. E não digo apenas questionar o professor no caso de uma dúvida, mas sim questionar o próprio conhecimento, entendendo as limitações deste em corresponder à realidade.

Nenhuma verdade é absoluta, nenhum conhecimento é imutável, não podemos ser receptores da cultura, temos que ser construtores da cultura!

Novidade!

domingo, 22 de março de 2009

Ha!

Uma novidade para aqueles que leem O Metafísico!

Apenas para situar um pouco quem não me conhece: Sou estudante de Física da UFRuralRJ.

Esta semana o post Trote: Humilhação pública ou Rito de Passagem? foi publicado na forma de uma artigo no jornal da universidade!

O jornal se chama "Rural Semanal" e quem quiser conferir aí vai o link pra versão digital: http://www.ufrrj.br/portal/modulo/home/getJornal.php?arquivo=575.pdf

Sim, é claro que sim: eu estou todo bobo e sim: eu estou tirando onda... rsrsr


Postado ao som de "Shooting Star" - Bad Company.

Trivialidade trivial...

Trivial...

Realmente essa não é uma palavra fácil de definir...

Afinal de contas o que é trivial? Existe mesmo algo que possa se enquadrar nessa categoria?

Digo isto porque essa palavrinha difícil faz parte de um jargão muito característico quando o assunto é ciências exatas. Desde que entrei na universidade e me tornei um quase-físico tenho e acostmado a pegar o simples, o fácil e o desnecessário e jogá-los no liquidificador obtendo um boa porção de trivial.

Trivial segundo o Aurélio:
Adjetivo de dois gêneros.

1.
Sabido de todos; notório, vulgar; terra-a-terra.


"Sabido de todos"... Engraçado isso... se for assim pouca coisa é trivial... respirar talvez...

Mas olhemos que variedade, temos também o "vulgar"! Bom então acho que respirar não é mais trivial... rsrs

Acima de tudo, viver não é trivial. Nada que realmente importe é trivial.

Viver não é...
Amar não é...
Pensar não é...
Escrever não é...
Morrer não é...


Vamos pensar um pouco mais naquilo que andamos chamando de trivial... será que mesmo essas coisas não são maravilhosamente compexas e cheias de facetas? Será que não somos nós que estamos tão cansados e cabisbaixos que nos conformamos com uma vidinha mais ou menos...

Peguemos de volta o trivial! Peguemos de volta o simples! Adeus à arrogância intelectual!!

Viva a vida!



Postado ao som de "Fat Bottom Girl" - Queen+Paul Rodgers.

How many roads must a man walk down?

terça-feira, 17 de março de 2009

Isso mesmo, como diria o bom e velho Bob Dylan:

Quantos caminhos um homem deve caminhar antes que possa ser chamado de homem?

Há algum tempo atrás escrevi um post falando sobre o mau humor, hoje vou interromper um silêncio de mais de uma mês para falar de outro sentimento: a tristeza.

Maldita melancolia...

Maldito sentimento de impotência e de insatisfação...

Porque precisamos passar por isso?

Várias vezes ouvi que "crescemos nas dificuldades", que "os tropeços nos fortalecem" e todo esse blá blá blá de sempre, mas com certeza não é fácil pensar assim quando vemos tudo desmoronar ao nosso redor, quando tudo (e quando eu disse tudo, é tudo mesmo!) parece se esvair entre os dedos, quando mesmo aquilo que antes parecia um porto seguro se torna um recife sem faróis...

O mais legal, é ver como quanto mais as coisas desmoronam, mais nosso ânimo diminui, e quanto mais nosso ânimo diminui, menos conseguimos lutar contra a maré.

Ou seja, não importa o quanto você está triste, você sempre poderá ficar pior. Não é apenas pessimismo, é lógica!

Bom, talvez eu até tivesse mais a falar, mas que se dane.

E hoje não tem música.