Fé no ser humano

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Tenho sempre visto por aí o descaso com que as pessoas tratam-se umas às outras.

É incrível como somos induzidos a taxar as pessoas não só pelas suas aparências como pelo seu passado.

Isso me remete a uma questão bem interessante: como anda nossa fé no ser humano?

Será que realmente acreditamos que as pessoas podem ser melhores? Ou será que estamos tão desconfiados de nossos semelhantes que nos fechamos em nossos castelos sem dar oportunidades para que os outros se mostrem pessoas melhores?

Digo isto porque no meu último post citei que a humanidade está evoluindo em sua forma de pensar o meio ambiente e revendo suas ações.

Isso me remeteu a esta questão. Se estamos enfim repensando nossas ações com relação ao meio ambiente e nossa forma de moldá-lo, porque não podemos repensar nossa forma de encarar nossos semelhantes e nossa maneira de tratá-lo?

É muito comum darmos rótulos às pessoas, é muito comum não acreditarmos que alguém é capaz de se regenerar.

Querem uma prova: A pena de morte.

Quer coisa mais triste do que chegar à conclusão de que uma pessa não é capaz de se recuperar e por isso deve morrer?

Não é triste apenas para quem morre sem a oportunidade de ser um ser humano melhor, é triste acima de tudo para quem condena e demostra claraente que perdeu as esperanças no semelhante.

Penso que sem esperança de que o mundo pode ser melhor, não existe uma razão muito forte para continuarmos nele...



Postado ao som de "Hurricane" - Bob Dylan.

PS: Mairo, mil desculpas por trocar seu nome, mas é que ele é bem incomum mesmo, eu realmente me confundi.

PS2: Cris... tenha fé! Juntos podemos mais! :D

Sobre a arrogância do Homo Sapiens

domingo, 10 de maio de 2009

Continuando o assunto de outro post, vou falar um pouco mais sobre o que significa ser um Homo Sapiens.

Primeiramente gostaria de agradecer ao Mairo (ou Mario, se ele trocou as letras) pelo comentário. Obrigado por ler O Metafísico e é legal saber que alguém gosta do que a gente escreve.

Sobre os chimpanzés serem nossos parentes mais próximos, e por apenas 2% do DNA possirem toda essa "consciência" com relação ao ambiente que os cerca, creio que isso tudo é muito relativo.

O mesmo desenvolvimento que deu ao homem essa característica de ser tão, digamos, intelectualmente desenvolvido, deu a ele ferramentas para que pudesse dominar e modificar o ambiente ao seu redor, o que fez com que ele experimentasse a sensação de poder.

É um velho dito popular que "O poder corrompe", e creio que isso esteja certo nesse ponto. A princípio, o homem teve de desenvolver habilidades de moldar o mundo ao seu redor para poder sobreviver, depois passou a moldá-lo para viver melhor, com mais comodidade e mais qualidade de vida, para que pudesse viver mais, mas percebemos, que paralelo a esse desenvolvimento, não desenvolveu-se munto bem em nosso intelecto a noção de preservação.

Nossos antepassados não podiam ficar pensando nos prós e contras de dominar a natureza enquanto a questão era sobrevivência, seria gastar energia com uma tarefa inútil a priori, e essa característica então não foi transmitida aos descendentes.

Hoje, percebemos que essa forma de gastar nossos recursos naturais é prejudicial a nós mesmos, e essa preocupação é muito recente, menos de meio século, não podemos por enquanto esperar melhoras significativas nas formas de pensar que estamos acostumados desde sempre como algo imediato, mas creio que estamos no caminho.

Posso parecer otimista demais, mas depois de séculos de devastação sem pena, poucas décadas já foram o suficiente para produzir uma baita mudança na nossa forma de pensar, as próximas décadas são promissoras.

Estamos em um processo de mudança, mudança no pensar e mudança no agir, provavelmente nossas próximas gerações serão muito melhores do que nós.


Postado ao som de "Hey Jude" - The Beatles

Coerência no discurso (Editado pra esclarecer as fontes)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vamos então depis dessa pequena pausa, retomar a discussão. Quero com este post atentar para um fato: A coerência em nossos discursos.

Se queremos transparecer uma idéia, e defendê-la com argumentos, nossos argumentos precisam ser coerentes, é o mínimo que se espera.

Digo isto mas eu mesmo sou bastante incoerente às vezes... rsrsrs

Vamos lá.

Há um tempinho atrás, recebi um comentário muito interessante no post Diferenças sutis entre medo e temor . Digo que este comentário foi interessante não como forma de ironia, pois vocês já devem ter percebido que meu intuito aqui é gerar reflexão, então quando eu recebo um comentário discordando da minha opinião, fico especialmente satisfeito.

Entretanto, esse coment tinha uma frasesinha que não entendi até hoje: A fé é incontestável, por isso Deus (com letra maiúscula) nos deu livre arbítrio.

A fé ser incontestável não pode ser motivo para o livre arbítrio! Não há liberdade em não poder questionar!

Felizmente o coment foi anônimo, então posso comentar sem constranger ninguém, pois isso é incoerente!

É engraçado, pois esse não é o único discurso incoerente que vemos por aí, eles pairam ao nosso redor e nem nos damos conta muitas vezes.

Um exemplo claro, é que é insustentável considerar que os mitos judaicos de criação do mundo devam ser encarados como um registro histórico. Querem a prova? Peguem o livro do Gênesis e vejam vocês mesmos, ele tem duas narrativas para a criação do mundo. Elas não chegam a ser divergentes, mas são bem diferentes entre si. Uma data do tempo do exílio na Babilônia (Gn 1, 1-2, 4a) e outra do tempo do Rei Salomão (Gn 2, 4b-25). São quase 5 séculos de diferença.

Vamos então prestar atenção nisso: avaliar a coerencia dos nossos argumentos.


PS: Então, anônimo, 1 x 1.... rsrsrsrsr
Brincadeira. Muito obrigado por tornar viva a discussão.

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Editando para uns esclarecimentos.

Uma das primeiras coisas que eu aprendi ao estudar história da ciência, foi sempre citar minhas referências. Me desculpem por esquecer este detalhe.

Minhas refêrencias quanto às datas e aos registros de mitos de criação hebraicos são o material do curso de teologia (não foi um curso de graduação) que fiz pela PUC-Rio e minha Bíblia. Minha Bíblia é uma Edição Pastoral, daquela que vem com comentários e revisão histórica dos textos no rodapé. Gosto muito dessa edição pastoral porque os textos evitam o linguajar rebuscado que a maioria das traduções da bíblia tem e que dificulta o entendimento do leigo.

Liberdade de Expressão

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pois, bem... (porque eu sempre tenho a impressão que começo todas as vezes com um "Pois bem", heim? rsrs)

Pois bem...

Desde que a tal Lei de Imprensa começou a ser rediscutida e iniciou-se uma queda de braços definitiva no Supremo para que ela caia de vez, têm-se falado muito sobre a liberdade de imprensa, e consequentemente na liberdade de expressão.

Temos naturalmente o direito de expressarmos nossa opinião sobre determinado assunto, mas sabemos claramente que isso tem limites. Basta alguém, por exemplo, negar o holocausto, que todos caem em cima. Não digo isso querendo apoiar aqueles que negam este triste episódio de nossa história, digo isto apenas para ressaltar um ponto de vista: Liberdade de Expressão é sempre algo muito relativo.

Toda forma de liberdade da qual pode gozar o ser humano, nunca é completamente "livre" no sentido mais extrito da palavra, sempre somos livres até dentro de uma determinada margem, margem esta que pode ser ditada pela ética ou pela moral, ou seja, pelo que é certo ou errado e pelo que é bom ou ruim, entretanto na maioria das vezes acabamos por regrar nossas liberdades pelo bom senso.

Com a Liberdade de Expressão não é diferente, todos temos as opiniões mais variadas possíveis sobre os mais variados temas, mas nem sempre estamoss dispostos a expor estas opiniões, seja por medo de um represália externa ou por simples problema de consciência.

Grande parte do que comunicamos ao mundo sobre nosso sentir e nosso pensar está vinculado diretamente àquilo que nos permitimos sentir e pensar. Dizia um velho provérbio que o primeiro passo para deixar de fazer algo é deixar de pensar em fazer, para controlar nossos atos devemos primeiro controlar nossos pensamentos.

Contudo, esta rédea que acabamos por colocar em nós mesmos acaba por ser uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo que damos um passo para um convívio mais harmonioso com nossos semelhantes, estamos dando também um passo rumo à digamos uma auto-mutilação do pensar, ou seja, estamos renegando parte de nós mesmos em nome do bem comum.

Sinto-me propenso a pensar neste ponto, que devemos ter sempre noção desta auto-restrição, e devemos principalmente, saber sempre que possível qual é a origem desta restrição, para que possamos saber se ela realmente vale a pena.

Esta liberdade tão fundamental precisa ser encarada de maneira mais séria, precisamos ter real noção das restrições que impomos a nós mesmos. Sem algumas delas, provavelmente não conseguiríamos viver em sociedade, pois seriam extremamente danosas aos nossos semelhantes, entretanto, muitas delas são simplesmente desnecessárias, e sequer sabemos porque ainda insistimos com ela.

É como na história daquele experimento com macacos.

Macacos foram colocados numa jaula com um grande e vistoso caixo de bananas ao centro. Cada vez que um deles se aproximava das bananas, todos levavam um grande choque. Com o passar do tempo, quando um deles tentava pegar uma banana, todos os outros o agrediam, impedindo-o. Pois bem, o cientista então trocou um dos macacos por um macaco novo. Logo que viu as bananas, o novo quis come-las, mas foi de pronto impedido pelos outros, à base de pancada. O experimento prossoguiu com a troca gradual de macacos, até que todos os macacos que levaram o choque já tinham sido substituidos. Entretanto, a cada vez que um novo macaco tentava alcançar as bananas, era sumariamente reprimido e espancado.

Ao que concluo este devaneio com alguns questionamentos:

Os macacos que eram espancados por se aproximar das bananas, sabiam porque estavam apanhando?

Os macacos que estavam espancando os outros, sabiam porque estavam batendo?

E o mais importante: Quais são hoje os nossos cachos de bananas? Quais são as coisas às quais não nos atrevemso a fazer sem saber bem por quê? A princípio tudo parece ter um motivo bem plausível: não podemos pegar as bananas porque senão apanhamos, mas era a surra o motivo que impedia os macacos de chegar ao seu objetivo?

O que significa ser um Homo Sapiens?

sábado, 2 de maio de 2009

Primeiramente, agradeço muito à Lioness pelo Premio Leminiscata.

Entretanto, eu tenho passado tão pouco tempo na internet, que não me lembro de sete blogs para indicar, e no final passou-se tanto tempo sem que eu respondesse à pergunta, que acabei perdendo o direito de reclamar o premio, então vou apenas responder ao questionamento, que por sinal é muito interessante.

Homo Sapiens.

O "Homem que sabe".

Pois bem, o homem que sabe sabe o quê? O que o diferencia de outros animais?

Dizemos comumente que somos diferentes por sermos inteligentes. Entretanto, quando vemos um animal determinar qual será a melhor tática para atingir uma presa, ou escapar de um predador, é impossível não atribuirmos a ele certa inteligência.

Dizemos apaixonados que o que nos distingue dos animais são nossos sentimentos. Entretanto, é difícil não notar como as fêmeas (mas nem sempre só as fêmeas) de diversas espécies defendem ferozmente seus filhotes.

Temos uma lista enorme de características, as mais prosaicas possíveis, que teoricamente nos distinguem dos outros animais.

Um fato interessante sobre o qual estava lendo há um tempo atrás, é que há cerca de 25 mil anos atrás, o Homo Sapiens não era a única espécie de hominídeo no planeta! Existiam pelo menos outras três, que por uma razão ou outra acabaram por desaparecer. No final das contas, somos sobreviventes.

Penso que ser um "Homem que sabe", é acima de tudo saber fazer com que nossos instintos possam ser controlados, poder racionalizar as coisas, o bom e velho pensar antes de agir.

Uma outra caracteristica que acho muito legal sobre o ser humano, é que ele é o único animal que fica procurando respostas a perguntas fundamentais, sobre a vida, o universo, e tudo mais (assistam "O Guia do Mochileiro das Galáxias", vão entender do que estou falando).

O Homo Sapiens é a única espécie que passa tanto tempo se preocupando em ser felizes, os outros, simplesmente são. Principalmente pelo fato de não inventarem um objetivo tão utópico.

Sintetizando, para mim, ser Homo Sapies é poder pensar antes de agir, buscar respostas a perguntas fundamentais (e fundamentalmente sem muito sentido, diga-se de passagem... rsrsr), e buscar a felicidade.


Postado ao som de "All my love" - Beatles

Sobre a Ciência e a Religião

Dizem por aí que religião não se discute...

Grande besteira! Não se deve discutir apenas coisas que não podem ser questionadas, e questionar tudo e todos é talvez a única forma de exercermos plenamente nosso livre arbítrio.

Me recordo nestes momentos que uma coisa que sempre me impressionou muito foi o debate sempre muito ferrenho entre ciência e religião.

De um lado cientistas sobem do alto de sua arrogância intelectual e olham com desprezo os seres crédulos que na manhã de domingo rumam à igreja. De suas universidades, dizem que não é necessário que haja um deus para que o universo seja do jeito que é.

Do outro lado, pastores e padres sobem em seus púlpitos para discursar sobre o como a ciência é perigosa, o como "quanto mais alguém estuda, mas se torna ateu". Dizem o como a ciência anda corrompendo a obra do todo-poderoso, clonando seres vivos, criando os transgênicos, detonando bombas atômicas... Já cheguei até a ouvir que o homem ter ido à Lua foi uma "heresia", porque "se Deus colocou ela fora do alcance, era pra ela ficar fora do alcance".

Não vou com este post simples esgotar o assunto, isso seria impossível, mas vou acrescentar a esta discussão alguns pontos.

Primeiramente, essas duas visões que eu expus acima (de propósito), são falácias. Poucos são os cientistas que eu conheço que são realmente ateus, e menos ainda são aqueles que atacam a religião, pra falar a verdade em toda a minha vida só conheci dois: Um professor de Biologia no pré-vestubular e um professor de Evolução da Física na universidade (eu não conto, eu ataco apenas a parte de não poder questionar... rsrsr).

Poucos também são os religiosos que se mantém tão fechados para a ciência.

Penso que mais uma fez é tudo questão de uma diferença de pontos de vista.

A ciência está preocupada com a origem do universo, a religião também.
A religião está preocupada com a cura dos enfermos, a ciência também.
A ciência está preocupada com a origem do homem, a religião também.

São muitos os assuntos em comum, e cada vez se torna mais óbivo que as duas não se contradizem entre si: elas apenas são formas diferentes de manifestar os mesmos desejo, o desejo por respostas às perguntas mais fundamentais.

São duas faces do comportamento humano, e uma não está acima da outra: não podem ser comparadas por serem de categorias diferentes.

Aí talvez se encontre nosso maior erro: tentar misturar as duas coisas. No meu post sobre a existência de deus, eu não quis misturar as visões, apenas as coloquei para dialogar, evidenciando como elas interagem de maneira íntima em certos assuntos.

Para finalizar, gostaria de fazer uma citação de Galileu. Nessa carta a uma duquesa, o italiano ataca os censores religiosos, mas uma recíproca à ciência seria igualmente adequada:

"É indiscutível que a teologia lida com assuntos da natureza divina e que, portanto, ocupa uma posição régia entre as ciências. Mas, ao adquiri desta maneira a mais alta autoridade, se ela não descer de vez em quando ao nível mundano das outras ciências, e se não mostrar nenhum interesse nesses assuntos por eles não serem sacros o suficiente, então seus professores não devem arrogantemente assumir a autoridade de decidir controvérsias pertinentes a profissões que eles não estudaram nem praticaram."

Comentem!!!

(tomara que o anônimo não tenha sumido...)

P.S.: Gostaria de agradecer muito à Lioness pelo novo selo, e dizer que eu não esqueci dele não, eu estou pensando num bom post sobre a questão do Homo Sapiens ; ), o tempo tem diminuido bastante, mas vou postar assim que conseguir!

Postado ao som de "While my guitar gently weeps" - Beatles

OK, Ok...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Vamos lá então... acho que o último post acabou sendo um pouco mais polêmico do que eu queria inicialmente, mas atendeu à sua intenção: provocar reflexão.

Mas devido à CAIXA ALTA DO ÚLTIMO COMENTÁRIO, sou obrigado a apelar para o direito de resposta...

Primeiramente, ou não quero montar um quebra-cabeças com peças diferentes, estou apenas expondo um paradoxo, como muitos na cultura humana.

Digo ainda que as peças não são tão diferentes assim.

O primeiro grande defensor da teoria do Big Bang foi um religioso, que a usou para defender a idéia de um criador. Esse foi o padre e cosmólogo belga Georges Lemaître.

Digo que as peças não são tão diferentes, não só por isso, mas pelo fato de que tanto a ciência quanto a religião fazem parte da rica e imensa tapeçaria da cultura humana, é impossível imaginar nossa sociedade sem qualquer uma das duas, apesar de elas darem conta de aspectos diferentes das nossas vidas e terem metodologias diametralmente opostas (farei um post melhor sobre isso ainda hoje).

Penso que imaginar as duas (ciência e religião) como parte do mesmo caldeirão cultural seja a peça de conexão entre as duas, e a partir daí seja possível encontrar uma forma melhor de enxergar ambas.

Mas concordo plenamente no que diz respeito ao fato de o "Físico nunca irá além do Físico". Felizmente ele nem tenta, não é e nem deve ser papel do cientista interferir naquilo que não é de sua ossada, e ele sabe muito bem disso.


Sr. Anônimo,

Por favor me desculpe se te ofendi de alguma maneira, minha única intensão aqui é suscitar o questionamento, para isso servem todos os meus posts. Perceba que o simples fato de questionar já faz um bem enorme, quando torna inúteis as barreiras da alienação!
Portanto, continuarei a questionar, às vezes de uma maneira mas ácida que as outras, mas fazer o quê? é o meu papel!



Postado ao som de "Through the glass"- Stone Sour