Coerência no discurso (Editado pra esclarecer as fontes)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vamos então depis dessa pequena pausa, retomar a discussão. Quero com este post atentar para um fato: A coerência em nossos discursos.

Se queremos transparecer uma idéia, e defendê-la com argumentos, nossos argumentos precisam ser coerentes, é o mínimo que se espera.

Digo isto mas eu mesmo sou bastante incoerente às vezes... rsrsrs

Vamos lá.

Há um tempinho atrás, recebi um comentário muito interessante no post Diferenças sutis entre medo e temor . Digo que este comentário foi interessante não como forma de ironia, pois vocês já devem ter percebido que meu intuito aqui é gerar reflexão, então quando eu recebo um comentário discordando da minha opinião, fico especialmente satisfeito.

Entretanto, esse coment tinha uma frasesinha que não entendi até hoje: A fé é incontestável, por isso Deus (com letra maiúscula) nos deu livre arbítrio.

A fé ser incontestável não pode ser motivo para o livre arbítrio! Não há liberdade em não poder questionar!

Felizmente o coment foi anônimo, então posso comentar sem constranger ninguém, pois isso é incoerente!

É engraçado, pois esse não é o único discurso incoerente que vemos por aí, eles pairam ao nosso redor e nem nos damos conta muitas vezes.

Um exemplo claro, é que é insustentável considerar que os mitos judaicos de criação do mundo devam ser encarados como um registro histórico. Querem a prova? Peguem o livro do Gênesis e vejam vocês mesmos, ele tem duas narrativas para a criação do mundo. Elas não chegam a ser divergentes, mas são bem diferentes entre si. Uma data do tempo do exílio na Babilônia (Gn 1, 1-2, 4a) e outra do tempo do Rei Salomão (Gn 2, 4b-25). São quase 5 séculos de diferença.

Vamos então prestar atenção nisso: avaliar a coerencia dos nossos argumentos.


PS: Então, anônimo, 1 x 1.... rsrsrsrsr
Brincadeira. Muito obrigado por tornar viva a discussão.

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Editando para uns esclarecimentos.

Uma das primeiras coisas que eu aprendi ao estudar história da ciência, foi sempre citar minhas referências. Me desculpem por esquecer este detalhe.

Minhas refêrencias quanto às datas e aos registros de mitos de criação hebraicos são o material do curso de teologia (não foi um curso de graduação) que fiz pela PUC-Rio e minha Bíblia. Minha Bíblia é uma Edição Pastoral, daquela que vem com comentários e revisão histórica dos textos no rodapé. Gosto muito dessa edição pastoral porque os textos evitam o linguajar rebuscado que a maioria das traduções da bíblia tem e que dificulta o entendimento do leigo.

4 comentários:

lioness disse...

Realmente. Agora, seu penúltimo parágrafo foi uma incoerência só. Fazendo-se uma análise dos textos hebraicos (pois Gênesis, como a maior parte do Velho Testamento) foi escrito em hebraico, percebe-se claramente as características da literatura hebraica, uma delas, a lei da repetição. Um hebreu conta um fato dando um resumo e logo em seguida repetindo a explanação com acréscimos de detalhes - isso é literatura hebraica. Traduzindo para o português não faz muito sentido. Essas datas com certeza você pegou de alguém, porque são dados equivocados. O correto, como fiz, para ser coerente, é estudar direto na fonte. Se precisar, tenho cópia dos textos em hebraico para conferência, e material científico sobre o assunto.

Nanda disse...

"A fé ser incontestável não pode ser motivo para o livre arbítrio! Não há liberdade em não poder questionar!"
Acho que procurei essas palavras em todas minhas discussões com pessoas que teimavam em querer me fazer ajoelhar de olhos fechaos e beijar os pés da imagem de Jesus no altar de uma igreja...
Agora achei as palavras que falarei pro próximos que vier. :)

E sobre o seu comentário no meu último post...
A tristeza não é necessária para a produção de uma boa arte... Sentimentos são. Se você sente algo, é só somar isso a vontade de fazer arte e pronto, algo bom vai sair dai.

Fique bem. :)

Bárbara (B.) disse...

Coerência é o mínimo, mas é o que mais falta por aí, até em nós mesmos. Tem razão.


Beijo meu.

lioness disse...

Legal citar as fontes, também fiz teologia, mas percebi que é preciso muito mais do que isso para entender textos escritos em um contexto cultural e linguístico bem diferente do nosso. Os comentários e notas e aulas de teólogos não são autoridade científica suficiente para provar essas questões. Mas muito legal levantá-las em seu blog. A discussão vale! Um abraço.