Um suco de laranja e uma vodka, por favor!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Post nada Sóbrio de Sábado!!

Funciona assim: a maioria dos bares e restaurantes não serve o Screwdriver, que eu mencionei no último post.

A parte bonita da coisa é que basta pedir um suco, uma vodka, bastante gelo, calcular mais ou menos a proporção e pronto! O drink está feito!

Eu disse que ele era a própria navalha de Occam...

Bom, essa é mais ou menos a hora em que eu entro no assunto do post em si e começo a contar uma história...

Dessa vez vou contar uma história diferente das outras...

Era uma vez... (Afinal de contas toda história que se preze deve começar assim!)

Era uma vez... um copo.

Isso mesmo: um copo.

Um reles e simples pedaço de vidro. Imaginao, criado e moldado para ser o receptáculo passivo de alguma beberagem qualquer para um ser humano.

Um ser humano que talvez nem lhe desse moral, nem percebesse o quanto a vida de um copo é dura. Mas ainda sim ele servia (e ainda hoje serve) aos prazeres e necessidades do ser humano.

Em sua juventude copesca, imaginava que tipo de coisas maravilhosas poderia realizar, desde levar até os lábios de uma dama um belo drink até matar a sede de um idoso no meio da noite, naquele sábio momento onde não mais se sabe onde está nada além do copo e da garrafa.

E assim o pequeno copo saiu da fábrica, pronto para qualquer coisa! Com o vigor e a sagacidade que apenas a juventude é capaz de oferecer. Alguns tentaram lhe contar histórias sobre famosos envenenadores que os utilizavam como veículo para a morte, mas ele não lhes dera ouvido.

Isso é papo de taça de vinho... Aquelas nunca haviam o enganado... Pareciam belas e distantes a princípio... Apenas para que ao conhecer-lhes de perto pudessem se mostrar... belas e distantes!

Mas ele tinha que ter um belo destino pela frente, ou então as taças de Martini não olhariam para ele com aquele olhar diferente... Nem mesmo as taças de champanhe eram capazes de resistir incólumes à sua passagem...

Todos pareciam ser afetados pela presença do jovem copo, mas ninguém se aproximava e no fundo ele não conseguia imaginar o que aquela veneração distanciada e fria queria dizer.

Na verdade ele era um copo até bem pequeno...

E um dia ele saiu da fábrica! Como esse ébrio autor ia dizendo, ele estava pronto para qualquer coisa!

E mal passou alguns instantes numa prateleira junto aos copos de água (que eram os únicos a lhe ignorar) foi levado para a casa de um ser humano!

Alguns dias se passaram em uma febril ansiedade por suas maiores esperanças...

Algumas semanas se passaram em uma agitação interior que parecia não ter fim...

Alguns meses esperançosos o aguardaram com as mãos vazias de novidades...

Enfim alguns anos se passaram e ele ali, seco.

Via os seres humanos passarem ao seu redor... Como eram belos e alegres... como eram admiráveis... Sempre que pegavam um copo de água perspassavam seus olhares por aquele não mais tão jovem copo. Alguns riam e diziam alguma coisa, outros apenas sorriam com o canto da boca... Nem mesmo os seres humanos eram capazes de reagir com indiferença à sua presença, mas mesmo assim ele se sentia distante de tudo e de todos.

A única exceção era uma criança que insistia em brincar com ele quando ninguém estava vendo. Tudo bem que era um ultraje, mas pelo menos ele se sentia útil. Pelo menos antes das brincadeiras serem descobertas e ele ter que se mudar para uma prateleira mais alta.

Certa feita uma aranha lhe fez uma teia no interior. Ficou feliz pela companhia, mas a aranha não parecia lhe notar como mais do que um pedaço de vidro velho.

Ali, parado na estante, pôde ouvir as mais diversas histórias e ver as mais diferentes garrafas... Esperava em fim poder encontrar sua alma gêmea, afinal o copo e a garrafa são sempre complementos naturais.

Ouviu falar sobre a água, antiga, insondável, inexplicável, mas sempre presente... Mas nunca sentiu sua presença...

Ouviu falar sobre os sucos, puros e frescos espíritos da natureza... Mas eles pareciam ter seu próprio copo, que pareciam compartilhar com os tais refrigerantes, seus primos mais animadinhos.

Ouviu falar até mesmo da tal cerveja, que alguns podiam beber por horas a fio sem se dar conta, mas mesmo ela parecia passar distante de suas bordas ao ir encontrar-se com as tais tulipas.

E assim passaram-se os anos sem que nada acontecesse... E o copo adormeceu sem esperanças...

Sem esperanças de futuro...

Na amargura da inutilidade...

Até que um dia ouviu umas vozes animadas se aproximando com olhares diferentes...

"É hoje!"

Dizia um deles... ele conhecia esse homem de algum lugar... espere! Não seria essa a criança que brincava com ele há alguns anos? Será possível?

"Pega o One Shot!!"

Dizia outro, entre risos.

E ele viu muitos se aproximarem, alguns trazendo copos...

Copos iguais a ele!!!

Viu também algumas garrafas... Umas esbeltas e solenes, de um liquido transparente e belo, mas que nunca poderia ser comparado com a velha água... Umas que pareciam bem mais experientes e requintadas, cada uma recebendo uma etiqueta de cor diferente... da mais jovem e espirituosa (a vermelha) até a mais velha e encorpada (a verde)... Viu umas garrafas de aspecto divertido e jovial... Outras com olhar solene e distante...

Mas nenhuma lhe olhava com aquela reverência distante e vazia, mas o percebiam como um velho conhecido,  alguém que se deseja manter por perto de qualquer jeito.

E assim ele se descobriu pela primeira vez: One Shot era seu nome... Seu nome e sua missão...

A missão solene de conduzir os mais diversos espíritos em seu estado mais puro...

E pela primeira vez teve real noção de sua natureza... Seu lugar no mundo...

E pôde não mais se sentir como um destaque que chama a atenção pelo pitoresco e pela distância, mas sim como parte de um todo maior.

E nessa mesma noite se apaixonou pela primeira vez.

E pela segunda...

E pela terceira...

E pela quarta...

Até que ela apareceu... Trazida sabe-se lá por quem...

"Jose Cuervo" Estava escrito em sua garrafa, num aspecto forte e ao mesmo tempo delicado. Ao vê-la sendo aberta, sentiu o aroma de seu interior selvagem... Um misto de força primal e um sabor suave... E o mais incrível: Aquela garrafa não tinha conta-gotas. Sim, essa era a mensagem: Aquele era um prazer que deveria ser desfrutado apenas por aqueles que conhecem e confiam em sua própria dosagem, sem frescuras de "cair um pouquinho de cada vez".

Não havia como resistir...

Ele até tentou não se apaixonar, mas já era... Aquele tom avermelhado não poderia ter causado um efeito diferente...

E essa história não tem final.


Postado ao som de "Lonely Stranger" - Eric Clapton

3 comentários:

Sabrina disse...

Oi professsor!sou sabrina sua ex-aluna da FG 1002,que andava com a Marcele e a Taimara.
Um belo dia(não tão belo)estava cansada do peso em minha mochila no início desse ano,então lembrei que isso estava ocorrendo porque meu caderno do ano passado ainda estava nela e as provas também(eu não limpo minha mochila).
Mas devemos pensar que tal ato nada higiênico me fez encontrar seu blog portanto,foi muito benéfico(eu recomendo).
Foi tão difícil rever todas aquelas contas (não tive uma sensação muito boa confesso).
Derrepente olhei para o canto inferior esquerdo(bonito)! de uma folha na sua matéria e deparei-me(nossa) com seu blog.
decidi acesá-lo e cá estou.
Gostei muito do seu blog(apesar de não entender muitas coisas)e continuarei lendo suas postagens.
um comentário para o que você escreveu ai em cima:que horror,você bebe muito!
kkkkkk,xau.
postado ao som de geração coca-cola de Legião Urbana

Maurício dos Reis disse...

Oi!
Que bom que você gostou!
As coisas que você não entender pode deixar um comentário perguntando, eu sempre respondo na medida do possível.
Sobre o seu comentário... nada a declarar... rssr
abração!

Anônimo disse...

POIS EU TENHO ALGO A DECLARAR Você ainda não viu o que eu aprontei sem querer.
mas como estou aqui posso me redimir do tal erro e pedir desculpas!
Desculpa,coloquei o mesmo comentário em duas postagens suas diferentes.
Acho que tenho um pouco de déficit de atenção,vivo fazendo esse tipo de coisa(esquecer mochila na escola,trabalho em casa)muito bom!