Só mais um, por favor...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Nossa... que saudade de vocês!

Semana passada não teve o "Post nada sóbrio de sábado"... Foi duro, mas consegui sobreviver... Mas hoje estou de volta!

Como tem sido sempre, pronto a começar do nada e improvisar um conto... Algo entre o experimental e o clássico... Algo entre o velho e o novo... Algo entre a mudança e a eternidade...

Algo que tenha um que de paradoxal com algumas doses de lirismo e outras de Domecq...



Mas acima de tudo algo que fale sobre o amor...

Talvez um amor de hoje, talvez um amor de ontem, quem sabe até um amor de sempre...

Existe algo nessa vida que pode ser pra sempre? se sim, esse algo deve, por obrigação de ser o amor...

Mas vamos de uma vez à história...

Como já foi dito por alguns, deve ser sempre uma história que fale de mil maneiras diferentes a mil pessoas diferentes, algo que diga tudo sem dizer nada.

Que sabe como ela pode começar?

Começa dessa vez com um fim.

Um belo dia as pessoas decidem que histórias eternas não seriam verdadeiramente eternas se não tivessem um belo de um fim.

E assim, ele e ela, juntos e separados, cada qual no mais profundo oculto de seus siameses corações, decidem que é hora de dar um basta e viver.

Simplesmente viver.

Mesmo que seja viver uma história vazia e sem nexo.

Mesmo que seja apenas por comodismo, mas já é hora de viver. Um olha para a cara do outro e diz: "A culpa foi sua, você não agiu! Esteve nas suas mãos e você não fez nada!"

E então, refestelados como apenas poderiam estar com a luz da falsa razão, eles partem. Sem saber, contudo, que mesmo que se afastem com um mundo inteiro entre ambos, nunca poderão deixar de pensar um no outro.

Que mesmo que tentem, sempre surgirá um dia em que eles vão imaginar: "Eu poderia estar sendo feliz..."

E ele tenta então ouvir um pouco de música... Quem sabe o mais fiel dos prazeres não vai lhe proporcionar um pouco de paz nesse momento em que sabe que ela está nos braços do outro?

Mas não... Não consegue... Por mais que tente, o universo conspira contra e pela primeira vez na vida seu fone de ouvido começa a dar choques... Que falta faz um isolamento elétrico nessa horas... Isolamento de verdade era tudo que ele queria agora... seja este elétrico ou de sentimentos.

Mas sabe a maior?

Ele resiste aos choques...

Porque no fundo existem dores piores... O velho Raymond Chandler já havia descrito essa sensação antes: Sentir-se como um gatinho que acaba de chegar em uma casa onde ainda não tem certeza se o pessoal gosta de gatinhos.

E ele pensa que já chegou nessa casa há bastante tempo e mesmo assim ainda não consegue chegar a conclusões...

Nem ela.


"Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz"
Sim, é muito perigoso ser feliz, ele conclui depois de algum tempo...
E alguém diz: "Tem uma cadeira vaga do seu lado..."
Ele ri sem graça... sem jeito... sem saber o que responder...
"Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida"
Quem sabe...
Vozes esquisitas começam a falar coisas sugestivas no meio da música... Será efeito dos choques?
Um único pensamento lhe passa pela cabeça: "Que falta você me faz aqui e agora, cara Beatriz..."

Postado ao som de "Beatriz" - Chico Buarque (Na versão da Ana Carolina).

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