Liberdade de Expressão

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pois, bem... (porque eu sempre tenho a impressão que começo todas as vezes com um "Pois bem", heim? rsrs)

Pois bem...

Desde que a tal Lei de Imprensa começou a ser rediscutida e iniciou-se uma queda de braços definitiva no Supremo para que ela caia de vez, têm-se falado muito sobre a liberdade de imprensa, e consequentemente na liberdade de expressão.

Temos naturalmente o direito de expressarmos nossa opinião sobre determinado assunto, mas sabemos claramente que isso tem limites. Basta alguém, por exemplo, negar o holocausto, que todos caem em cima. Não digo isso querendo apoiar aqueles que negam este triste episódio de nossa história, digo isto apenas para ressaltar um ponto de vista: Liberdade de Expressão é sempre algo muito relativo.

Toda forma de liberdade da qual pode gozar o ser humano, nunca é completamente "livre" no sentido mais extrito da palavra, sempre somos livres até dentro de uma determinada margem, margem esta que pode ser ditada pela ética ou pela moral, ou seja, pelo que é certo ou errado e pelo que é bom ou ruim, entretanto na maioria das vezes acabamos por regrar nossas liberdades pelo bom senso.

Com a Liberdade de Expressão não é diferente, todos temos as opiniões mais variadas possíveis sobre os mais variados temas, mas nem sempre estamoss dispostos a expor estas opiniões, seja por medo de um represália externa ou por simples problema de consciência.

Grande parte do que comunicamos ao mundo sobre nosso sentir e nosso pensar está vinculado diretamente àquilo que nos permitimos sentir e pensar. Dizia um velho provérbio que o primeiro passo para deixar de fazer algo é deixar de pensar em fazer, para controlar nossos atos devemos primeiro controlar nossos pensamentos.

Contudo, esta rédea que acabamos por colocar em nós mesmos acaba por ser uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo que damos um passo para um convívio mais harmonioso com nossos semelhantes, estamos dando também um passo rumo à digamos uma auto-mutilação do pensar, ou seja, estamos renegando parte de nós mesmos em nome do bem comum.

Sinto-me propenso a pensar neste ponto, que devemos ter sempre noção desta auto-restrição, e devemos principalmente, saber sempre que possível qual é a origem desta restrição, para que possamos saber se ela realmente vale a pena.

Esta liberdade tão fundamental precisa ser encarada de maneira mais séria, precisamos ter real noção das restrições que impomos a nós mesmos. Sem algumas delas, provavelmente não conseguiríamos viver em sociedade, pois seriam extremamente danosas aos nossos semelhantes, entretanto, muitas delas são simplesmente desnecessárias, e sequer sabemos porque ainda insistimos com ela.

É como na história daquele experimento com macacos.

Macacos foram colocados numa jaula com um grande e vistoso caixo de bananas ao centro. Cada vez que um deles se aproximava das bananas, todos levavam um grande choque. Com o passar do tempo, quando um deles tentava pegar uma banana, todos os outros o agrediam, impedindo-o. Pois bem, o cientista então trocou um dos macacos por um macaco novo. Logo que viu as bananas, o novo quis come-las, mas foi de pronto impedido pelos outros, à base de pancada. O experimento prossoguiu com a troca gradual de macacos, até que todos os macacos que levaram o choque já tinham sido substituidos. Entretanto, a cada vez que um novo macaco tentava alcançar as bananas, era sumariamente reprimido e espancado.

Ao que concluo este devaneio com alguns questionamentos:

Os macacos que eram espancados por se aproximar das bananas, sabiam porque estavam apanhando?

Os macacos que estavam espancando os outros, sabiam porque estavam batendo?

E o mais importante: Quais são hoje os nossos cachos de bananas? Quais são as coisas às quais não nos atrevemso a fazer sem saber bem por quê? A princípio tudo parece ter um motivo bem plausível: não podemos pegar as bananas porque senão apanhamos, mas era a surra o motivo que impedia os macacos de chegar ao seu objetivo?

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