Mais um dia, mais um começo

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Mais um dia, mais um começo.

Sentada na beira da praia contemplou o nascer do Sol.

Mais um dia, mais um começo.

O vento batia em seu rosto, o ar secava suas lágrimas.

Mais um dia, mais um começo.

Ver o mar sempre lhe lembrava dele, mas não mais sofria.

Mais um dia, mais um começo.

Restava apenas esperar que o frio passasse e a dor se curasse.

Mais um dia, mais um começo.

Levantou-se e andou em direção à praia.

Mais um dia, mais um começo.

Não sentia o calor, nem o vento, nem mesmo a luz do sol em seus cabelos.

Mais um dia, mais um começo.

Repitira essa frase diversas vezes para si mesma depois que ele se fora...

Mais um dia, mais um começo.

Mas nada mais importava, a água morna massageava seus tornozelos.

Mais um dia, mais um começo.

A dor da perda já não sentia, enquanto molhados ficavam seus joelhos.

Mais um dia, mais um começo.

A água cobria sua cintura, e não pôde deixar de notar o quão belo era o céu sobre sua cabeça.

Mais um dia, mais um começo.

Queria olhar de novo para a margem, mas não tinha coragem suficiente.

Mais um dia, mais um começo.

Queria ver mais uma vez aquele olhar perdido... mas perdido estava o olhar...

Mais um dia, mais um começo.

Perdido o olhar, perdido o amor, perdidos os sonhos.

Mais um dia, mais um começo.

A água tocava de leve seus cabelos, e acariciava suas costas.

Mais um dia, mais um começo.

Ao sentir a plenitude daquele momento um arrepio percorreu sua espinha.

Mais um dia, mais um começo.

Não sentiu medo nem angústia, apenas paz e serenidade.

Mais um dia, mais um começo.

Não haveria porque se preocupar, não havia porque retornar...

Mais um dia mais um começo.

E a água cobriu seu rosto.

Mais um dia, mais um começo.

Num último suspiro elevou seu espírito. Sem dor, sem sofrimento....

Mais um dia, mais um começo.

Sem palpitações, sem desespero, sem cartas de despedida.

Mais um dia, mais um começo.

E na cidade a vida começava a fluir por entre as veias da quimera de concreto e asfalto. Nada naquela manhã denunciava que algo de anormal poderia ter ocorrido. Os cachorros latiam, as crianças choravam, um bêbado caia pelas esquinas. Nada demais. Apenas mais um...

Mais um dia, mais um começo.


Postado ao som de "Hurricane" - Bob Dylan.

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