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Sobre o privilégio de ser professor

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 Hoje tinha planejado um posto sobre tirar fotos ruins da Lua com a câmera do celular e como isso reflete a frustração de tentar encontrar beleza na vida e não conseguir, mas quando acabei de montar o meu tripé para tirar a foto o tempo terminou de nublar e não tinha mais Lua... Esse vai esperar mais um pouco. Vou compartilhar com vocês por aqui então um dos textos que mais gosto de ter podido escrever, tanto pelo conteúdo quanto pelo contexto.  Trata-se do meu discurso de paraninfo para os formandos do Ensino Médio do C. E. Clodomiro Vasconcelos em 2019. "A mim hoje foi entregue a honra de ser seu Paraninfo. Hoje, no dia em que vocês se despedem do nosso colégio com mais uma etapa cumprida, coube a mim a honra de ser seu último professor. De dar a última lição antes que vocês partam em definitivo para o mundo lá fora. Curiosamente eu tive o privilégio de ser professor da maioria de vocês ao longo dos três anos, e gostaria que vocês lembrassem de nossa primeira aula. Lá falamo...

Quando a mediocridade é o que resta

Interessante essa história de ser professor. Sempre vi meus professores como pessoas cultas e bem estruturadas intelectualmente. Verdadeiros exemplos a serem seguidos. Pessoas que eram intelectuais sem serem arrogantes e sérias sem perder o senso de humor. Decidi ser professor também. Me preparei da melhor forma possível, batalhei uma faculdade federal num curso bastante complicado, mantive minha cultura geral o mais ampla possível e busquei sempre estar atualizado com o mundo. Em suma: busquei ser aquilo que imagino de um professor: um intelectual. Agora estou dentro da sala de professores junto aos meus pares e me deparo com um paradigma totalmente diferente, em geral o papo é o mais alienado possível. Na melhor das hipóteses surge uma discussão política que não tarda em cair no "não tem mais jeito". E esse é o ápice. Agora pouco ouvi um discurso homofóbico de um colega. Não é triste quando a mediocridade é o que resta, é triste quando as pessoas ainda não consegu...

Poder

Poder... Hoje eu presenciei uma das demonstrações de poder mais interessantes que já vi: um conselho de classe de fim de ano. Como aluno eu sempre havia ouvido falar que era ali que as coisas eram decididas de verdade... Em uma única manhã diversas decisões pesadas foram tomadas e eu me pergunto com que grau de isenção e mesmo autoridade. É ligeiramente desesperador saber que está nas suas mãos o fato de que alguém vai perder um ano da sua vida. Paradoxalmente fica aquela sensação de impotência quando você vê um aluno de terceiro ano não ter sua situação aliviada (precisava de pouca coisa) por argumentos que você já conhece há muito tempo e não são tão válidos assim. Como existe professor cabeça dura! Estou ligeiramente indignado até agora, porque vamos acabar reprovando um aluno que será um excelente candidato a evasão no ano que vem! Será que vale a pena? Tenso. A primeira coisa que me vem à cabeça nesse momento são as sábias palavras de Ben Parker... "Com gran...

Preparar para a vida ou para o vestibular?

ô perguntinha difícil... Sinceramente sempre preferi a primeira opção, mas tenho visto que dá pra fazer as duas. Uma de minhas principais bandeiras é a interdisciplinaridade, a religação de saberes que em suas origens não são distintos. Inúmeras pesquisas em décadas de história recente da educação mostram que a interdisciplinaridade está no seio de uma formação que dê conta da extrema complexidade com a qual se dão as relações do homem com a sociedade e com o ambiente em que vive. Com a compartimentação do conhecimento em disciplinas engessadas perdemos a noção real da inserção do homem no meio em que vive, e apenas a partir do resgate das inter-relações entre os diversos saberes e áreas poderemos acessar novamente a natureza de nossa identidade humana, com toda a sua inerente complexidade. Contudo, todo sistema unificador e de eliminação de fronteiras demanda um conceito que incorpore esta unificação, assim sendo, deve-se buscar cada vez mais a articulação de todas as ciência...

Mitos do Cientista e boas iniciativas

Hoje passei por uma experiência muito interessante que em muito me acrescentou aos meus pensamentos em alguns aspectos sobre a ciência. Recebi um convite para levar um grupo de alunos do terceiro ano do colégio em que trabalho para conhecer algumas instalações do Departamento de Química da UFRuralRJ através de uma iniciativa do Prof. Mário de Oliveira, pesquisador de química dos produtos naturais. Bom, foi uma experiência muito legal (até mesmo pelo fato de eu ser leigo no assunto e ter aprendido bastante), onde os estudantes puderam ter contato direto com o cotidiano não apenas da universidade, como também da pesquisa científica. Pude perceber o quanto eles se dispunham em uma postura respeitosa dentro dos laboratórios. Não como se tivessem medo de algo, mas como se os ares fossem diferentes (tudo bem que eram laboratórios de química e os ares ERAM diferentes... mas é de outra coisa que estou falando). O mesmo tipo de atitude é possível observar quando as pessoas es...

Professor, eu não sei nada...

Funciona mais ou menos assim: dou aulas há um certo tempo em curso pré vestibular e ouço todo dia a seguinte frase: [dito com voz de falsete]: "Professor, não aprendi nada disso no colégio..." [respondido com cara de espanto]: "Nossa, que terrível! Vamos então dar uma olhada de novo." Bem, acontece que agora eu também dou aulas no ensino regular. Sinceramente dá vontade de mudar a resposta padrão... Seia algo do tipo: [dito com voz de falsete]: "Professor, não aprendi nada disso no colégio..." [respondido com cara de assassino]: "P*ta que pariu!! Que m*rda! Quer saber de uma coisa? O que você estava fazendo na p*rra da aula onde a p*rra do professor tentou ensinar? Estava de sacanagem! Estava matando aula pra ficar sarrando na namoradinha atrás do colégio! Quer saber de outra coisa? F*da-se!!!" ah... Precisava desse desabafo de fim de ano! rs Que troço estressante esse de dar aula em colégio! Nossa! rs O pior de tudo não é nem a f...

Sobre diferenças entre aprender e ensinar

Vou mais uma vez me debruçar sobre um tema que já tenho falado aqui algumas vezes: Educação. Hoje estive conversando com alguns amigos sobre a atuação de alguns professores e alguns exemplos de práticas educativas. Uma coisa interessante sobre o assunto é a divergência drástica que existe no pensamento dos educadores quanto à responsabilidade na questão da aprendizagem. Uns pensam que aprender é uma responsabilidade do aluno. Outros que o aprender do aluno é uma responsabilidade do professor. Incrível como podemos notar isso em cada um. Mesmo os alunos se dividem entre estas duas vertentes. E então, de quem é a responsabilidade? Foi o aluno que não aprendeu ou foi o professor que não ensinou? Toda esta discussão nasce de uma inquietação pessoal minha: Porque diferenciar de maneira tão drástica o ensinar e o aprender? Porque não podemos encarar a coisa como sendo simplesmente parte de um empreendimento complexo de re-Construir constante do ser humano, seja ele professor ou estudante? Se...

Sobre a arrogância e o ato de ensinar

Bem, no último post falei sobre a questão da necessidade de se ter um certo desrespeito com relação a um conceito ou disciplina para que possamos aprende-lo. Pois vejam, agora dou uma pequena continuidade ao assunto para falar sobre o ato de ensinar. Se para aprender é necessário desrespeito, de maneira semelhante ensinar exige arrogância. Não arrogância no sentido de se sentir acima dos alunos, mas arrogância no sentido de se sentir dominante sobre o assunto ensinado. Ser apenas seguro não é o suficiente, os alunos devem reconhecer no professor essa segurança, e se ele não transparece dominar a disciplina, perde a confiança da turma, que já não mais o vê como alguém que será capaz de sanar suas dúvidas. Falo isso como aluno e como professor. Dos dois lados do problema é possível constatar a mesma coisa. Ha! Antes que os pedagogentos de plantão comecem a tramar seus discursos inflamados sobre Skinner-Piaget-Vigotsky-O diabo a quatro, eu NÃO estou dizendo aqui que o professor deve osten...